Apesar do medo e desconfiança, moradores apoiam ação na Cracolândia

"Não quero me iludir e pensar que finalmente vou ter paz e segurança", diz comerciante. Moradora diz estar "mais insegura"

Carolina Garcia, iG São Paulo | 09/01/2012 17:39

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Foto: Carolina Garcia Ampliar

Grupo de usuários migram por diversas ruas e continuam usando crack na região central

Moradores e comerciantes da região conhecida como Cracolândia, no centro da capital paulista, palco de uma ação da integrada do governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo, ainda veem com desconfiança a ação policial contra o tráfico e consumo do crack na região. A forte presença da Polícia Militar e ações de limpeza nas ruas da Cracolândia demonstram a intenção da primeira fase de reconstrução do local. Mas ainda assim, durante visita do iG no local nesta segunda-feira, no sétimo dia de operação da PM, o forte mau cheiro e o lixo ainda indicam a presença de usuários de crack que ainda estão pela região central da cidade, mas em menores grupos e espalhados por diversos pontos.

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Como divulgado pela PM, a primeira fase da ação na Cracolândia, iniciada na última terça-feira (3), consiste em quebrar a estratégia do tráfico e eliminar as aglomerações de usuários e traficantes nas ruas do centro. Nas ruas Helvétia, Glete, Dino Bueno e na avenida Rio Branco, usuários ainda são vistos vagando, pedindo dinheiro e, muitas vezes, brigando por comida.

Moradores e comerciantes da região dizem considerar a ação policial como um importante avanço, mas que ainda deve ser celebrado com cautela. “Não quero me iludir e pensar que finalmente vou ter paz e segurança. Hoje a PM está aqui, mas não sei até quando isso vai durar”, é o que diz Marcelo Oshiro, dono de uma banca de jornal há três anos na av. Rio Branco.

Foto: Carolina Garcia Ampliar

Fachada do prédio cercado pela polícia na região central

Oshiro explica que não era comum encontrar usuários de drogas na região da sua banca. “Sei o quanto é importante acabar com aquilo lá [Cracolâdia], mas agora tenho um novo problema. Eles andam sem rumo e tenho medo do que podem fazer para conseguir a droga já que não estão concentrados como antes”, diz preocupado. Essa é posição de muitos outros moradores e comerciantes que, devido ao medo e insegurança, pediram para não ser identificados na reportagem.

Na rua Dino Bueno, casas e bares dividem espaço com prédios abandonados usados como abrigos pelos usuários. Um deles é um casarão com uma enorme quantidade de lixo e itens possivelmente roubados, segundo agentes da PM. Acredita-se que era um dos maiores pontos utilizados por viciados e traficantes. O local permanece vigiado 24h pelos militares para que novas invasões sejam evitadas.

Formigueiro

Para Fran, balconista de uma agência de turismo, “a operação é necessária, mas mexeu em um formigueiro”. Ela mora entre a praça General Osório e av. Rio Branco há cinco anos. “Está quase impossível dormir de madrugada com o barulho que eles fazem quando passam na região da minha casa”.

Segundo ela, mesmo com a constante presença da polícia, está “muito mais insegura”. “Antes para evitar qualquer susto, mudava os caminhos para a minha casa. Agora, com PM tocando eles para qualquer lado, estamos sem opção. Eles estão em todos os lugares”, explicou.

Raiva e agressões

Foto: Carolina Garcia Ampliar

Policiais abordam usuário na avenida Rio Branco. Em seguida ele levanta, anda e se deita na rua seguinte

Em diversas oportunidades, comerciantes da região alertam a imprensa para evitar registrar imagens e se aproximar dos usuários. “Não é nem muito legal a gente conversar com vocês. Eles pensam que polícia só fez isso depois de tanta divulgação na imprensa”, explica o gerente de posto de combustíveis, Juarez Ribeiro da Silva, de 42 anos. Não são poucas as vezes que usuários se tornam agressivos ao ver fotógrafos e jornalistas

Trabalhando há oito anos na esquina da alameda Nothmann com av. Rio Branco, Silva explica que na última semana teve que fechar o banheiro e a loja de conveniência do posto. “Eles já chegam entrando e mexem em tudo. A polícia está aqui, mas parece que eles não têm medo”, explica o gerente dizendo ainda que muitos rejeitam e se tornam agressivos quando são convidados para receber tratamento.
 

<span>Agentes militares abordam suspeitos durante operação realizada na Cracolândia, nesta sexta-feira (6)</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Com a PM na região da Luz, ocorreram as migrações. Usuários e traficantes se deslocam para outros pontos da cidade. Na foto, av. Rio Branco na quinta-feira (5) </span> - <strong>Foto: AE</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>PM prende suposto traficante na Praça Julio Prestes, no centro de São Paulo, na quarta-feira (4)</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Em balanço divulgado pela PM, mais de 800 abordagens já foram realizadas na Cracolândia (quarta-feira, 4)</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Nesta primeira fase da operação, PM tem como objetivo retirar usuários e traficantes da Cracolândia e região do centro</span> - <strong>Foto: PADUARDO/FUTURA PRESS/AE</strong> <span>No terceiro dia de ação, a região da Cracolândia já é vista mais vazia. Abordagens ainda eram realizadas na quinta-feira (5)</span> - <strong>Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena</strong> <span>Na foto, Praça Clóvis Bevilacqua. Cenário depois da passagem da Polícia Militar pelo local</span> - <strong>Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena</strong> <span>Praça Clóvis Bevilacqua, no centro de São Paulo</span> - <strong>Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena</strong> <span>Na foto, Rua dos Gusmões, região de comércio da Santa Efigênia</span> - <strong>Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena</strong> <span>Região da rua Helvétia com a alameda Barão de Piracicaba. Local era visto sempre lotado com muitos usuários e traficantes </span> - <strong>Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena</strong>

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