Alunos da USP tem até as 17h para desocupar prédio da reitoria

Estudantes que ocupam reitoria afirmam que não irão deixar o local. Polícia pode ser usada para cumprir reintegração de posse

iG São Paulo |

Os estudantes que ocupam o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) desde a madrugada de quarta-feira (02) tem até as 17h deste sábado da deixar o local. Nesta sexta-feira, um oficial de Justiça comunicou aos alunos a decisão Justiça que deu um prazo de 24 horas para que todos desocupem o prédio dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista.

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AE
Estudantes continuam ocupando o prédio da reitoria na manhã deste sábado
O representante da Justiça foi até o local para entregar dois documentos aos alunos. Um era a notificação de reintegração de posse emitida pela juíza e a outro era uma intimação para uma audiência de conciliação marcada para as 10h deste sábado. Os alunos se recusaram a assinar os dois documentos e foram comunicados pelo oficial de Justiça oralmente. Alguns alunos saíram da reitoria, fizeram uma corrente em frente ao local e, enquanto o oficial lia as determinações dos documentos, vaiavam. Depois, gritaram em coro: "Fora PM".

Mas o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, representante dos alunos que estão dentro do prédio, afirmou que os estudantes reforçaram o comunicado que não vão deixar o local e que se houver confronto violento com a polícia a responsabilidade será do reitor da universidade, João Grandino Rodas.

Os alunos estão desde quinta-feira (03) sem luz e  internet no prédio. Eles tentam ligar um gerador que há no local.

Embora a juíza tenha, em sua decisão, afirmado que a reintegração deve ser realizada "sem violência" e em "clima de paz", o uso da força policial está autorizado após o cumprimento do prazo.

O prédio da reitoria da USP foi ocupado após uma assembleia de estudantes decidir pelo cancelamento de outra invasão, no prédio administrativo de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) , na noite de terça-feira (1). O primeiro ato ocorreu em protesto pela detenção de três estudantes que estariam fumando maconha no estacionamento na última semana.

Na tarde de quinta (3), a reitoria divulgou imagens das câmeras instaladas no prédio da reitoria que mostram o momento em que várias pessoas forçam o portão e invadem o local.

Polícia sem armas

Enquanto alguns alunos que ocupam a reitoria não quiseram falar com o iG na tarde desta sexta-feira, um ex-aluno de letras da Pontifícia Universidade Católica do Chile procurou a reportagem. Felipe B., 23 anos, agora é professor de poesia brasileira na PUC do Chile e contou que está acompanhando a reivindicação dos alunos da USP.

Segundo ele, o movimento não é contra a segurança na USP. "Não queremos a PM fora da universidade. Queremos a polícia sem armas. Queremos a polícia como instituição, íntegra", afirmou, citando a universidade como a casa dos estudantes.

AE
Assembleia dos estudantes que ocupam o prédio da reitoria da USP, realizada na noite passada

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