"A Justiça é a condenação dele", afirma mãe de Eloá

Chorando, Ana Cristina Pimentel chegou ao fórum de Santo André acompanhada de um advogado e de um dos filhos

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá Pimentel , de 15 anos, morta por Lindemberg Alves em outubro de 2008, chegou muito emocionada ao fórum de Santo André, na Grande São Paulo, onde  é realizado o julgamento do caso, nesta segunda-feira .

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A mãe de Eloá chega ao fórum de Santo André
Começa o julgamento de Lindemberg Alves Crimes: relembre o caso Eloá
O júri:
saiba como será o julgamento de Lindemberg
Defesa: "Ele é um bom rapaz, ingênuo", diz advogada de Lindemberg

Chorando, Ana Cristina estava acompanhada de um advogado e de um dos filhos. Aos jornalistas, ela afirmou que espera a condenação do acusado. "A Justiça é a condenação dele", afirmou

A mãe de Eloá ainda afirmou que acredita que esses dias de julgamento serão complicados para ela "Será muito difícil reencontrar ele (Lindemberg). Não consegui comer nesta manhã e orei a Deus pedindo por esses dias".

Ao chegar, ela foi muito aplaudida pela pessoas que estavam na fila a espera de senha para acompanhar o julgamento, que entoaram o coro “Justiça, Justiça”.

Mais cedo, a advogada de defesa de Lindembeg chegou ao fórum e defendeu o acusado. "Ele é um bom rapaz, ingênuo", disse Ana lúcua Assad .


O julgamento

Dezenove testemunhas podem ser ouvidas durante o julgamento – cinco de acusação, arroladas pela promotora de Justiça Daniela Hashimoto, e outras 14 de defesa, convidadas pela advogada Ana Lúcia Assad. Cinco repórteres e apresentadores de emissoras de televisão, peritos criminais e policiais foram chamados pela defesa. A ideia é mostrar como a cobertura jornalística pode ter influenciado negativamente o réu.

Perfil violento e manipulador: Lindemberg estava decidido a matar Eloá, defende acusação

Caso todas as testemunhas sejam ouvidas, o julgamento pode durar até três dias. Lindemberg responde por 12 crimes - todos cometidos no período que manteve Eloá e outros três em cárcere. Ele é acusado desde o homicídio de Eloá, manter quatro pessoas reféns, duas tentativas de homicídio (de Nayara Rodrigues e um sargento da Polícia Militar) e o disparo de quatro tiros a esmo pela janela do apartamento.

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Eloá Pimentel durante o sequestro em 2008, em um dos momentos em que apareceu na janela do apartamento

Testemunhas

As testemunhas de acusação são: Vitor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira (amigos de Eloá que foram mantidos reféns no primeiro dia), Nayara Rodrigues (mantida em cárcere privado com Eloá e também baleada no rosto), o sargento da Polícia Militar Atos Antônio Valeriano (pela tentativa de homicídio que sofreu) e Ronickson Pimentel dos Santos (irmão mais velho de Eloá e era amigo do réu). Para a promotoria, este último é peça fundamental para a construção do perfil do réu considerado “manipulador, violento e possessivo”.

Entre as testemunhas de defesa, estão cinco jornalistas de emissoras de televisão. Segundo o Ministério Público, eles foram chamados pelo contato “próximo e relevante” que tiveram com o acusado. São eles: Sônia Abrão (Rede TV!), Márcio Campos e Rodrigo Hidalgo (TV Bandeirantes), Ana Paula Neves e Reinaldo Gottino (TV Record).

Peritos e policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que atuaram nas negociações e resgate, também estão entre os convocados pela defesa. São eles: Nelson Gonçalves (perito criminal do Instituto de Criminalística de Santo André); Marcos Antônio Assumpção Cabello (advogado e também participou das negociações); Ricardo Molina (perito); Dairse Aparecida Pereira Lopes (perita que realizou a reconstituição do crime); Hélio Rodrigues Racciotti (perito); Sérgio Luditza (delegado que presidiu o inquérito); Adriano Giovanini (negociador do Gate) e Paulo Sérgio Squiavo (tenente do Gate).

Júri

Ao final do primeiro dia de julgamento, os sete jurados escolhidos são levados para um hotel na região . Os quartos, que já passaram por vistorias da Polícia Militar, não possuem pontos de internet, televisores ou telefone. Um oficial de Justiça acompanhará a estadia de cada jurado para evitar qualquer comunicação com o meio externo.

Julgamento

Feito o sorteio, inicia-se as oitivas das testemunhas. Não há um tempo limite para os depoimentos. Após esse período, Lindemberg será convidado a falar. Ele tem o direito de ficar em silêncio. Depois disso, serão iniciados os debates entre promotoria e defesa – cada parte terá 1h30 para defender suas teses. “Se necessário, a promotoria tem direito há uma réplica de 1h”, explica Daniela.

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Lindemberg Alves com policiais militares do Gate ao sair do apartamento de Eloá. (17/10/2008)

A promotora, que assumiu o caso em novembro do ano passado, está certa da condenação de Lindemberg, que pode passar os cem anos. Para ela, as provas são “cristalinas” e revelam que o crime foi premeditado. A peça apresentada pela acusação será o áudio gravado durante as operações do Gate. Segundo ela, “o intervalo entre o arrombamento da porta e os disparos efetuados por Lindemberg [já comprovados em laudo] revela que ele teve tempo para se entregar, mas escolheu não fazê-lo”.

Já a defesa, segundo a promotora, irá apresentar uma mídia com mais de 16 horas de material com a cobertura jornalística do caso. Para Daniela, a intenção da defesa será mostrar que o sensacionalismo e um possível contato abusivo da imprensa influenciaram negativamente Lindemberg. “Culpar a imprensa e a ação do Gate é uma forma de tentar tirar o foco do julgamento. Minha única intenção é reforçar os laudos”, concluiu a promotora.

Para a defesa de Lindemberg, o caso é uma aberração jurídica . "Espero que os jurados estejam com o coração aberto para ouvir a nossa versão. A versão do menino Lindemberg", afirmou Ana Lúcia Assad, nesta segunda-feira.

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