"A Justiça é a condenação dele", afirma mãe de Eloá

Chorando, Ana Cristina Pimentel chegou ao fórum de Santo André acompanhada de um advogado e de um dos filhos

Carolina Garcia, iG São Paulo | 13/02/2012 09:44 - Atualizada às 11:26

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Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá Pimentel, de 15 anos, morta por Lindemberg Alves em outubro de 2008, chegou muito emocionada ao fórum de Santo André, na Grande São Paulo, onde é realizado o julgamento do caso, nesta segunda-feira.

Foto: AE Ampliar

A mãe de Eloá chega ao fórum de Santo André

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O júri:
saiba como será o julgamento de Lindemberg
Defesa: "Ele é um bom rapaz, ingênuo", diz advogada de Lindemberg 

Chorando, Ana Cristina estava acompanhada de um advogado e de um dos filhos. Aos jornalistas, ela afirmou que espera a condenação do acusado. "A Justiça é a condenação dele", afirmou

A mãe de Eloá ainda afirmou que acredita que esses dias de julgamento serão complicados para ela "Será muito difícil reencontrar ele (Lindemberg). Não consegui comer nesta manhã e orei a Deus pedindo por esses dias".

Ao chegar, ela foi muito aplaudida pela pessoas que estavam na fila a espera de senha para acompanhar o julgamento, que entoaram o coro “Justiça, Justiça”.

Mais cedo, a advogada de defesa de Lindembeg chegou ao fórum e defendeu o acusado. "Ele é um bom rapaz, ingênuo", disse Ana lúcua Assad.


O julgamento

Dezenove testemunhas podem ser ouvidas durante o julgamento – cinco de acusação, arroladas pela promotora de Justiça Daniela Hashimoto, e outras 14 de defesa, convidadas pela advogada Ana Lúcia Assad. Cinco repórteres e apresentadores de emissoras de televisão, peritos criminais e policiais foram chamados pela defesa. A ideia é mostrar como a cobertura jornalística pode ter influenciado negativamente o réu.

Perfil violento e manipulador: Lindemberg estava decidido a matar Eloá, defende acusação

<span>Em 13 de outubro de 2008, segunda-feira, Eloá Pimentel fazia um trabalho escolar com os colegas em sua casa, quando Lindemberg Alves, entrou com um revólver em punho</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>À noite, depois que o Gate chega ao local para negociar a entrega dos reféns, dois garotos são libertados por volta das 22 horas</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Irritado, Lindemberg chega a atirar contra as pessoas que se aglomeravam ao redor do prédio onde ele mantinha as adolescentes reféns. Não houve feridos</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>Na terça-feira, a energia elétrica do apartamento é cortada, mas restabelecida horas depois. Com isso, Lindemberg permite que Nayara deixe o local</span> - <strong>Foto: Arte iG</strong> <span>Na manhã da quinta-feira, Nayara, que havia sido libertada na terça-feira, tenta convencer Lindemberg a libertar Eloá pelo telefone</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>Orientada por Lindemberg ao celular, Nayara sobe as escadas e acaba rendida novamente para dentro do apartamento, depois de ver Eloá com uma arma apontada na cabeça</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>Na sexta-feira, depois de conversar com o negociador, Lindemberg decide empurrar uma mesa para detrás da porta, a fim de impedir que a polícia invadisse o local</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>Às 18h10, policiais afirmam ter ouvido um tiro e, então, decidem explodir a porta e invadir o apartamento. Tiros são disparados</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>Em seguida, Nayara sai do apartamento e, ao olhar para trás, vê a amiga Eloá ensanguentada. Ela também sentiu o próprio rosto &#39;estranho&#39; – atingido por um disparo</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong> <span>A ação termina com a prisão de Lindemberg. Eloá e Nayara, feridas, são levadas ao hospital</span> - <strong>Foto: iG Arte</strong>

Caso todas as testemunhas sejam ouvidas, o julgamento pode durar até três dias. Lindemberg responde por 12 crimes - todos cometidos no período que manteve Eloá e outros três em cárcere. Ele é acusado desde o homicídio de Eloá, manter quatro pessoas reféns, duas tentativas de homicídio (de Nayara Rodrigues e um sargento da Polícia Militar) e o disparo de quatro tiros a esmo pela janela do apartamento.

Foto: AE

Eloá Pimentel durante o sequestro em 2008, em um dos momentos em que apareceu na janela do apartamento

Testemunhas

As testemunhas de acusação são: Vitor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira (amigos de Eloá que foram mantidos reféns no primeiro dia), Nayara Rodrigues (mantida em cárcere privado com Eloá e também baleada no rosto), o sargento da Polícia Militar Atos Antônio Valeriano (pela tentativa de homicídio que sofreu) e Ronickson Pimentel dos Santos (irmão mais velho de Eloá e era amigo do réu). Para a promotoria, este último é peça fundamental para a construção do perfil do réu considerado “manipulador, violento e possessivo”.

Entre as testemunhas de defesa, estão cinco jornalistas de emissoras de televisão. Segundo o Ministério Público, eles foram chamados pelo contato “próximo e relevante” que tiveram com o acusado. São eles: Sônia Abrão (Rede TV!), Márcio Campos e Rodrigo Hidalgo (TV Bandeirantes), Ana Paula Neves e Reinaldo Gottino (TV Record).

Peritos e policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que atuaram nas negociações e resgate, também estão entre os convocados pela defesa. São eles: Nelson Gonçalves (perito criminal do Instituto de Criminalística de Santo André); Marcos Antônio Assumpção Cabello (advogado e também participou das negociações); Ricardo Molina (perito); Dairse Aparecida Pereira Lopes (perita que realizou a reconstituição do crime); Hélio Rodrigues Racciotti (perito); Sérgio Luditza (delegado que presidiu o inquérito); Adriano Giovanini (negociador do Gate) e Paulo Sérgio Squiavo (tenente do Gate).

Júri

Ao final do primeiro dia de julgamento, os sete jurados escolhidos são levados para um hotel na região. Os quartos, que já passaram por vistorias da Polícia Militar, não possuem pontos de internet, televisores ou telefone. Um oficial de Justiça acompanhará a estadia de cada jurado para evitar qualquer comunicação com o meio externo.

Julgamento

Feito o sorteio, inicia-se as oitivas das testemunhas. Não há um tempo limite para os depoimentos. Após esse período, Lindemberg será convidado a falar. Ele tem o direito de ficar em silêncio. Depois disso, serão iniciados os debates entre promotoria e defesa – cada parte terá 1h30 para defender suas teses. “Se necessário, a promotoria tem direito há uma réplica de 1h”, explica Daniela.

Foto: AE Ampliar

Lindemberg Alves com policiais militares do Gate ao sair do apartamento de Eloá. (17/10/2008)

A promotora, que assumiu o caso em novembro do ano passado, está certa da condenação de Lindemberg, que pode passar os cem anos. Para ela, as provas são “cristalinas” e revelam que o crime foi premeditado. A peça apresentada pela acusação será o áudio gravado durante as operações do Gate. Segundo ela, “o intervalo entre o arrombamento da porta e os disparos efetuados por Lindemberg [já comprovados em laudo] revela que ele teve tempo para se entregar, mas escolheu não fazê-lo”.

Já a defesa, segundo a promotora, irá apresentar uma mídia com mais de 16 horas de material com a cobertura jornalística do caso. Para Daniela, a intenção da defesa será mostrar que o sensacionalismo e um possível contato abusivo da imprensa influenciaram negativamente Lindemberg. “Culpar a imprensa e a ação do Gate é uma forma de tentar tirar o foco do julgamento. Minha única intenção é reforçar os laudos”, concluiu a promotora.

Para a defesa de Lindemberg, o caso é uma aberração jurídica. "Espero que os jurados estejam com o coração aberto para ouvir a nossa versão. A versão do menino Lindemberg", afirmou Ana Lúcia Assad, nesta segunda-feira.

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