Minas vai ganhar seu 1º templo budista e nova catedral católica

Um dos Estados mais católicos do País, Minas começa a ter monumentos de outras religiões: 2º maior templo da Universal é em BH

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O mineiro é muito parecido com o japonês. Ele é concentrado. Acredito que as montanhas fortalecem o encontro do mineiro com o budismo”, avalia o monge José Costa Mokugen San

Minas Gerais é um dos Estados mais católicos do Brasil. Segundo o “ Novo Mapa das Religiões ”, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas e divulgado neste ano, 73,3% dos mineiros se declaram católicos. A média do Brasil é de 68%. Mas, aos poucos, o Estado que abriga alguns dos mais belos templos do catolicismo no País começa a ter monumentos de outras religiões. E, como acontece com todas as religiões, as obras têm dinheiro público, indiretamente. Templos religiosos são isentas de tributos.

No próximo ano, a capital do Estado, Belo Horizonte, vai ganhar o primeiro templo budista do Estado, a religião oriental que contava com Steve Jobs entre seus fiéis e que é muito praticada no Japão. “O mineiro é muito parecido com o japonês. Ele é concentrado. Acredito que as montanhas fortalecem o encontro do mineiro com o budismo”, avalia o monge José Costa Mokugen San, que nasceu em Espinosa, no norte de Minas Gerais e abandonou a odontologia para se dedicar ao budismo, tendo morado no Japão por 20 anos.

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O templo budista mineiro terá o nome de “Templo Zen das Alterosas” e conta com recursos exclusivos do Japão, apesar de haver campanha por doações de recursos . “Agradecemos imensamente ao povo japonês. Infelizmente, não conseguimos doações do Brasil. Queremos colocar um buda de bronze, de 5 a 10 metros no jardim do templo, mas ainda precisamos de recursos”, explica o monge, discipulo do mestre Japonês Tokuda, que esteve no Brasil para difundir o zen budismo em meados da década de 1980.

Denise Motta/iG
O monge José Costa Mokugen San, que nasceu em Espinosa, no norte de Minas Gerais e abandonou a odontologia para se dedicar ao budismo
Mokugen San contou ao iG que em 2005 foi fundada a Associação Cultural Oriente Ocidente, com objetivo de difundir o zen budismo em Belo Horizonte. Antes disso, seu maior desafio sempre foi a criação de um templo, como os existentes em outras capitais.

O local escolhido foi o bairro Serra, que fica bem próximo à Serra do Curral e ao Parque das Mangabeiras. O local é alto e de lá se vê parte da capital. Com aproximadamente 300 metros quadrados, a casa que abrigará o novo templo será um local para cerimônias religiosas budistas, como rituais fúnebres de pessoas e animais, além de casamentos. Também está previsto espaço a prática da acupuntura. “O budismo vem crescendo porque não tem dogma. Ele é dirigido pelo bom senso e a pessoa deve experimentar por si própria. Não é uma coisa que vem de fora. É uma busca interior”, diz o monge.

Espiritismo

Terra do médium Chico Xavier, Minas Gerais fica em sexto lugar entre os Estados com mais espíritas no Brasil: cerca de 2,2% da população se diz espírita. A média do Estado está acima da média nacional, de 1,65%. Belo Horizonte é a quarta capital em número de espíritas, com 3,94% do total da população. Segundo o presidente da União Espírita Mineira, Marival Veloso, os números não mostram a realidade: “Muita gente não se declara espírita. Muitas pessoas lêem a literatura espírita, fazem uso de terapias espíritas, mas ainda existe muito preconceito”.

O dirigente da União Espírita Mineira conta também que há uma visão equivocada de que o espiritismo criou um novo evangelho quando, na verdade, apenas fez um estudo minuncioso sobre o evangelho de Jesus Cristo e o relatou de acordo com a visão espírita. “Há religiões que fazem campanhas sistemáticas contra nós, dizendo que o espiritismo é coisa de Satanás. Nós somos cristãos. O espiritismo nos ensina que não é a religião que nos salva, mas sim a religiosidade”.

Os espíritas têm uma série de comemorações em 2011. Entre elas, a mais importante é a referente aos 150 anos do Livro dos Médiuns, obra de Allan Kardec publicada na França em 1861. Há ainda o início de comemorações de 70 anos do livro Paulo e Estevão, obra psicografada por Chico Xavier. Ditada pelo espírito de Emmanuel em 1942, o livro conta a história do apóstolo Paulo.

Força católica

Divulgação
Projeto da nova catedral Cristo Rei, em Belo Horizonte
O padre Aureo Nogueira de Freitas, responsável pelas iniciativas de evangelização da Arquidiocese de Belo Horizonte, diz que a escolha da religião no contexto contemporâneo “passa por uma escolha individual”, para “satisfazer desejos próprios” e “sem uma perspectiva de transformação com a sociedade e o mundo”. “A carência das pessoas as levam a pensar na religião para resolver seus próprios problemas, centro de um aspecto de sofrimento”, concluiu.

Enquanto assiste à queda no número de fiéis, mas também contesta dados, a igreja católica mineira prepara uma ofensiva com números grandiosos. Neste ano, a arquidiocese de Belo Horizonte realiza uma campanha maciça em diversos meios de comunicação, escolas e instituições religiosas para arrecadar recursos a fim de viabilizar a “Catedral Cristo Rei”

Não apenas os católicos querem a catedral, mas todos os mineiros. É uma obra de arte para a cidade”, diz padre

Com projeto de Oscar Niemeyer, a obra terá 100 metros de altura e capacidade para cerca de 20 mil fiéis, nas áreas externa e interna. Ao contrário dos budistas mineiros, que procuram recursos para o Buda de bronze, simbolo maior da religião, os católicos já conseguiram uma cruz de 20 metros, em aço, doação de uma empresa. As diferenças entre os terrenos também são enormes.

Enquanto o templo budista terá 300 metros quadrados, a imponente catedral terá área de 22 mill metros quadrados, mas ainda não tem data para ficar pronta. “O projeto básico está sendo finalizado, o projeto executivo deve começar em 2012, mas a obra não deve ficar pronta até a Copa do Mundo”, explica Romulo Albertino, da Comissão de Projetos e Obras da Construção da Catedral. Nem Albertino nem a assessoria de imprensa da arquidiocese de Belo Horizonte citam valores, mas a imprensa de Minas Gerais divulga que o empreendimento pode custar R$ 100 milhões.

Ao contrário dos budistas, o novo investimento da igreja católica não ficará em um local sossegado e com pouca visibilidade ao público. A catedral será erguida no caminho entre o Aeroporto Internacional Presidente Tancredo Neves, em Confins, Grande Belo Horizonte, até o centro da capital mineira. Também estará no caminho da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do poder Executivo, até a região central da cidade. “Não apenas os católicos querem a catedral, mas todos os mineiros. É uma obra de arte para a cidade”, destaca Albertino, referindo-se ao idealizador Niemeyer, artista reconhecido por projetar a capital federal.

Evangélicos

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A Catedral da Fé, da Igreja Universal do Reino de Deus, Tem capacidade para 5.000 pessoas e é o segundo maior templo da igreja no Brasil
A capital mineira já conta com uma obra religiosa imponente, na avenida Olegário Maciel, região Centro-Sul. Foi a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) quem inaugurou na cidade, no ano de 2003, a Catedral da Fé, com capacidade para 5.000 pessoas. Ninguém da IURD foi encontrado para comentar se existem planos de expansão em Belo Horizonte e no Estado.

A Catedral da Fé de Belo Horizonte é a segunda maior construção da Universal do Reino de Deus no Brasil e uma das maiores do mundo. A maior construção da Universal no Brasil é a Catedral Mundial da Fé, Templo da Glória do Novo Israel, no Rio de Janeiro, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas. O Templo do Salomão, em São Paulo, que deve ficar pronto em 2014, acomodará 10 mil pessoas e, portanto, ocupará o segundo lugar no ranking de grandes construção da igreja, colocando a Catedral da Fé de de Belo Horizonte em terceiro lugar.

Erguida em um terreno de 8,7 mil metros quadrados a um custo estimado de R$ 30 milhões, o templo ocupa 3,6 mil metros quadrados. Na entrada principal, pela avenida Olegário Maciel, estão livraria e videoteca que vendem material evangélico. Ao lado, um prédio de quatro andares, estruturado para abrigar 500 crianças e adolescentes, com berçário, fraldário e escolinhas. Na rua Santa Catarina, a obra abrange mais um edifício, de dez andares, onde está concentrada a parte administrativa da Igreja. São 30 salas, apartamentos residenciais para bispos e pastores da Igreja, quatro estúdios de rádio e dois de TV.

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