Cercada por aglomerados urbanos, BR-316 no Pará é a mais perigosa do País

Nos primeiros dez quilômetros da rodovia, na saída de Belém, ocorreram 18 mortes nos nove primeiros meses do ano

Wilson Lima, iG Maranhão |

Relatório divulgado essa semana pelo Ministério da Justiça aponta os dez primeiros quilômetros da BR-316, no Pará, com os mais perigosos do país. Pelos dados do Ministério, nos nove primeiros meses deste ano, ocorreram 1.671 acidentes com 18 mortos e 423 feridos.

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Isso representa uma média de 185 acidentes por mês apenas nesse trecho ou um a cada quatro horas apenas neste trecho de dez quilômetros. No trecho seguinte, entre os km 10 e km 20, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Pará registrou 422 acidentes entre janeiro e setembro deste ano. O índice de gravidade nos dez primeiros quilômetros da BR-316 é cerca de 11% superior que a BR-101, em Santa Catarina, considerada a segunda mais violenta e três vezes maior que a média dos 60 trechos mais perigosos do País.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o trecho é altamente perigoso porque às margens da rodovia foram erguidos grandes conglomerados urbanos. Esse trecho da rodovia está nas proximidades das cidades de Ananindeua e Marituba, com populações de 471 mil e 108 mil habitantes, respectivamente. Ela também é a única saída por terra da capital do Pará, Belém.

Outro fator que explica o grande número de acidentes é o trânsito intenso no local. A rodovia recebe milhares veículos diariamente de moradores de Ananindeua e Marituba que trabalham na capital do Pará.

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“Provavelmente se tivéssemos rodovias alternativas para essas regiões, o número de acidentes seria menor”, declarou o superintendente interino da Polícia Rodoviária Federal do Pará, Franklin Santos, a uma emissora de TV local.

Além da grande concentração de veículos e também de uma densidade populacional alta, a rodovia também tem problemas de sinalização. Relatório “Pesquisa CNT de Rodovias 2011”, da Confederação Nacional do Transporte, divulgado em setembro deste ano, classificou como “ruim” a sinalização na via. Outros aspectos como pavimento e geometria da rodovia também foram apontados apenas como “regulares”, segundo o relatório da entidade.

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