Profissionais consideram salário oferecido pelo governo brasileiro bom, mas hesitam diante da falta de informação sobre onde viverão e quais recursos terão para trabalhar

Agência Estado

Espalhados pelo país, centenas de médicos espanhóis têm demonstrado à embaixada e aos consulados brasileiros disposição de fugir da crise econômica e migrar para o outro lado do Atlântico, ganhando experiência e um salário que consideram bom - R$ 10 mil, ou € 3,3 mil, superior à média espanhola. Mas muitos ainda hesitam diante da falta de informação do Ministério da Saúde sobre onde viverão e quais recursos disporão para o atendimento.

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Ángela espera se juntar à lista dos 915 profissionais estrangeiros que se inscreveram no site do Ministério da Saúde para preencher as 10 mil vagas abertas no Brasil. Como muitos profissionais da saúde na Espanha, ela vê no Mais Médicos uma chance de fugir da instabilidade e das crises econômica e social.

No Brasil, médicos protestam contra programa para atrair estrangeiros
Beatriz Atihe, iG São Paulo
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A profissional tem uma dúvida recorrente: onde viveria. Moradora de Carranque, um povoado de ares rurais e 4 mil habitantes a 35 km de Madri, Ángela não se importaria em trabalhar em zonas agrícolas no Brasil. Mas não aceitaria viver na periferia de uma grande cidade. "As diferenças sociais, a violência, as favelas, isso me assusta."

Além da questão geográfica, ela se preocupa com a infraestrutura. "Aqui, se receitamos um antibiótico, as pessoas têm acesso. Não sei se é assim no Brasil. Espero que não queiram apenas levar médicos, mas também aprimorar a infraestrutura de saúde."

Casado e pai de duas filhas, Moisés Moreno Ortíz, de 39 anos, morador de Barcelona, também está fascinado pelo desafio que o programa representa. "Me atrai muito como experiência nova e para abrir fronteiras profissionais", pondera. Ele, porém, vai esperar uma segunda chamada do programa.

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Mas os interessados não são apenas jovens ou profissionais em busca de estabilidade. Aos 60 anos, Isidoro Rivera Campos, vice-presidente da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária, faz planos. "Me aposento em breve e não descarto partir aos 65, se o Brasil ainda me quiser, e passar o resto de minha vida no país", diz Campos, admirador do modelo universal e gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS). "Sou apaixonado pela minha profissão e tenho as melhores referências do Brasil. Se puder ser útil, será um prazer.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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