Polícia apura assassinato de ex-comandante do DOI-RJ no RS

Júlio Miguel Dias Molina, chefe do destacamento na época do atentado ao Riocentro, foi morto em Porto Alegre na quinta-feira. Polícia apura motivação do crime

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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga o assassinato do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, de 78 anos. O militar, morto a tiros na noite de quinta-feira passada (1º), em Porto Alegre, era comandante do Destacamento de Operações e Investigações do 1º Exército (DOI-RJ), ao qual estavam vinculados os dois militares responsáveis pela tentativa de atentado ao Riocentro, em 1981. No dia 30 de abril daquele ano a explosão inesperada de uma bomba dentro de um automóvel matou um sargento e feriu gravemente um capitão.

Embora tenha algumas evidências de sequestro e tentativa de assalto praticados contra o coronel por criminosos comuns, a polícia não descarta outras hipóteses, como a de um assassinato sob encomenda.

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Uma das linhas de investigação aponta para a possibilidade de Dias ter sido abordado por homens armados quando saía da casa de uma filha, no bairro Petrópolis, e forçado a levar um bandido como carona de seu automóvel Citroën até sua casa, no bairro Chácara das Pedras, sendo seguido por pelo menos outro homem em um Gol vermelho. Ao chegar ao endereço, o militar teria reagido, na tentativa de evitar que os assaltantes entrassem em sua residência, e disparado um tiro da pistola que sempre portava contra o carona. Os dois entraram em luta e o bandido puxou o coronel para fora do carro. Em seguida o motorista do Gol chegou ao local e disparou diversos tiros, acertando ao menos três, no tórax, no rosto e num braço.


O coronel reformado morreu no local, enquanto a dupla fugiu no Gol, levando apenas a arma do militar. A polícia localizou o automóvel que teria sido usado pelos assaltantes e está analisando impressões digitais para tentar identificá-los. Por ter ocorrido em bairros onde há registros de assaltos semelhantes, o crime pode ter sido uma tentativa de roubo seguida de assassinato. Mas a hipótese da execução não está descartada porque houve um elevado número de disparos, prática rara em crimes comuns, e porque a carteira da vítima não foi levada.

Discreto tanto na carreira militar como na aposentadoria, Dias só aparece em relatos que o citam como o chefe do DOI-RJ à época do caso Riocentro e que não afirmam, no entanto, que ele tenha planejado ou autorizado o atentado. O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, consultou arquivos da entidade e de outros grupos ligados à defesa dos direitos humanos e não encontrou registros de atividades do coronel em aparelhos de repressão aos opositores do regime militar. O ativista considera improvável que o assassinato tenha alguma relação com os anos de chumbo.

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