General Gonçalves Dias durou apenas quatro meses e 19 dias no cargo
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General Gonçalves Dias durou apenas quatro meses e 19 dias no cargo

O ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Gonçalves Dias se tornou o ministro mais rápido a deixar o Palácio do Planalto nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele deixou o cargo nesta quarta-feira (19),  após a divulgação de imagens em que aparece no Palácio do Planalto no dia dos ataques de 8 de janeiro.

Dias ficou no cargo por quatro meses e 19 dias. Ele passou o ex-ministro de Minas e Energia do segundo mandato de Lula, Silas Rondeau, que deixou o cargo em quatro meses e 22 dias, após ser apontado como receptor de uma propina no valor de R$ 100 mil.

No primeiro mandato do petista, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral foi o primeiro a deixar o cargo. Na época, ele se sentiu desrespeitado com a possibilidade de ser demitido e pediu para sair em dezembro de 2003. Após pressão de Lula, Amaral continuou no cargo até 22 de janeiro.

No dia seguinte, Lula demitiu outros quatro ministros, fazendo sua primeira reforma ministerial. Entre eles estavam Benedita da Silva (Assistência Social), José Graziano (Segurança Alimentar), Miro Teixeira (Comunicações) e Cristóvam Buarque (Educação).

Gonçalves Dias também é o quarto ministro mais rápido a deixar o Planalto nos últimos 20 anos. A lista é liderada pelo ex-ministro do Planejamento do governo Temer, Romero Jucá, que durou apenas 11 dias no cargo.

Jucá é seguido por Gustavo Bebianno, secretário da presidência no governo Bolsonaro, que se manteve durante 49 dias no cargo. Já Cid Gomes, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff, durou dois meses e 18 dias no ministério.  

O último ministro a durar menos de um ano no Planalto nos últimos 20 anos foi o ex-ministro da Casa Civil de Dilma, Antônio Palocci. Na época, ele foi acusado de elevar seu patrimônio de forma ilegal.

Demissão de Gonçalves Dias

O general Gonçalves Dias pediu demissão do cargo de ministro do GSI após as suspeitas de conivência com os golpistas nos ataques ao Palácio do Planalto em 8 de janeiro. Dias é o primeiro ministro que cai no terceiro governo de Lula.

O pedido foi entregue diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reunião no Palácio do Planalto. A demissão ocorre após imagens de câmera de segurança que mostram Gonçalves Dias no Palácio do Planalto durante os ataques.

Nesta quarta, foram divulgadas imagens que mostram o ex-ministro no Palácio do Planalto no dia dos ataques em Brasília. Em um trecho da gravação, obtida pela CNN Brasil, é possível ver Dias orientando os responsáveis pelos atos a deixar o Planalto.

Segundo as filmagens, às 16h29, Gonçalves Dias andava pelo terceiro andar do Palácio, na antessala do gabinete do presidente da República. Ele tenta abrir duas portas e depois entra no local.

Minutos depois, o general aparece caminhando pelo mesmo corredor com alguns dos responsáveis pelos atos. As gravações sugerem, conforme a CNN, que ele indicava a saída de emergência ao grupo.

Após a repercussão das imagens, Gonçalves Dias cancelou sua ida à Câmara dos Deputados, onde participaria de uma audiência na Comissão de Segurança Pública. Ele foi convidado a falar sobre a atuação do GSI durante os atos antidemocráticos contra a Praça dos Três Poderes, mas apresentou um atestado médico horas antes da oitiva. Antes da demissão, a comissão aprovou a convocação do ex-ministro, o que obriga ele a prestar depoimento.

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