Joaquim Falcão
Agência O Globo
Joaquim Falcão

Professor de direito constitucional, membro da Academia Brasileira de Letras e fundador do curso de Direito da FGV-Rio, Joaquim Falcão enxerga no  desfile de tanques em Brasília “um jogo de humilhação e ambição” praticado pelo presidente Jair Bolsonaro com as instituições.

Como o senhor observou essa “tanqueata” ocorrida em Brasília ontem?

Bolsonaro estimula a ambição e pratica a humilhação. Isso, que ele faz com as pessoas, está fazendo com as instituições. No caso das Forças Armadas, as humilha com um papel que não é o que a Constituição determina. Essa ameaça institucional ele já fez, inclusive, quando disse que a “Constituição sou eu”. Bolsonaro entende a democracia como um jogo de pôquer autoritário.

O senhor vê perigo nessas declarações ?

A Constituição diz que os Poderes são harmônicos, mas a realidade mostra que não. No mínimo, eles são tensos entre si. E essa tensão é o que rege a democracia, porque um poder está sempre atento ao outro. Harmonia é um ideal inalcançável, e quando os poderes foram harmônicos, como foi na ditadura de 1964, acabou a democracia.

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O senhor concorda que o STF acertou o tom diante das investidas de Bolsonaro?

O importante é a mensagem que o STF manda para o país e para Bolsonaro, que é a seguinte: estamos unidos. Divergir no voto é saudável. Convergir na  defesa da instituição é indispensável, e é a isso que estamos assistindo.

O que significam esses ataques ao Judiciário?

Essas falas do presidente são falta de decoro. E falta de decoro é justificativa para impeachment .

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