Alexandre Lopes, ex-presidente do Inep
Gabriel Jabur/MEC
Alexandre Lopes, ex-presidente do Inep

ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que o  Ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi “totalmente omisso” na organização do Enem de 2020, realizado nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021. Teixeira também classificou a atitude de Lopes como “covarde” e disse que o planejamento das provas de 2021 está “bastante atrasado”, com risco de ser adiado novamente. O Inep é o órgão responsável pela realização do Enem.

Demitido em fevereiro deste ano , após a realização das provas, Lopes rompeu o silêncio depois da atual gestão do Inep divulgar uma nota, na última sexta-feira, 30, criticando as políticas adotadas na gestão dele.

Segundo Lopes, após o primeiro dia de realização de provas e o surgimento dos primeiros problemas, de candidatos reclamando que não conseguiram fazer as provas, ele solicitou uma reunião com o ministro, mas foi recusado, o que se repetiu nas semanas seguintes.

“Em 2020, houve muito pouco questionamento do ministro [Milton Ribeiro] em relação ao Enem (...) Na segunda-feira de manhã, pedi formalmente uma reunião com ele para falar do Enem. Ele recusou, através das secretárias. Na outra segunda [após o primeiro dia de provas], pedi novamente uma reunião presencial com ele e ele recusou de novo. Na segunda recusa, ele falou que nós íamos ter um despacho semanal. No despacho semanal, ele não apareceu, pediu que o executivo me recebesse. O Enem acontecendo no Brasil, em meio a uma pandemia, com todas as dificuldades, e o ministro se recusou a me receber. Eu só conseguia falar com ele por WhatsApp”, afirmou Lopes.

Mesmo pela plataforma, o ex-presidente do Inep disse que também foi ignorado pelo ministro da educação quando falou sobre os problemas do Enem de 2020. Segundo Lopes, a única mensagem e orientação que recebeu foi “OK, vai dar certo”. “Ele foi omisso. O ministro simplesmente fugiu do Enem”, declarou Alexandre Lopes.

Para o ex-presidente do Inep, Ribeiro tentou fugir da responsabilidade sobre a realização do Enem.

“Acho que ele queria, com covardia, [passar a ideia] ‘não tenho nada a ver com esse negócio do Enem. Deu errado, eu estava alheio. Ninguém me falou nada’. Acho que ele queria fugir da responsabilidade”, afirmou.

Lopes também falou ao O Globo que o ministro da educação também se omitiu dos processos de preparação do Enem.

“Ele resolveu simplesmente deixar de fazer quase tudo que o Inep ia fazer. O orçamento para o Enem era cerca de R$ 200 milhões e o Enem custa cerca de R$ 700 milhões. Ao contrário da covardia e da incompetência do ministro Milton Ribeiro, se eu fosse ele, ano passado não tinha Enem. Tive que conseguir um valor extra por causa da Covid. Se ele for seguir o Orçamento desse ano, são R$ 200 milhões para o Enem, não tem exame”, afirmou Lopes.

Segundo o ex-presidente do Inep, o Enem de 2021 está com um cronograma muito atrasado, em relação a elaboração da prova e também para execução do exame, com risco de ser adiado para 2022. “Apesar de toda incompetência do atual presidente e a falta de discernimento por parte do ministro, a equipe técnica do Inep é capaz de fazer. Se eles não atrapalharem, o Enem sai, mas estão atrasados”, disse.

Tendo que decidir tudo sobre o Enem 2020 sozinho, Lopes também disse que, além dos problemas do exame, também enfrentava problemas internos na equipe do Inep e que o ministro demorou de a quarto a seis meses para resolver. “Havia 25 indicações [em aberto] para Comissão Técnica de Avaliação (CTA). Eu estava com 25 pessoas a menos e eu pedi para nomear e o ministro deixou parado por quatro, seis meses”, contou.

O Enem de 2020 teve números recordes de abstenção e estudantes relatando terem sido impedidos de fazer a prova porque as salas já estavam lotadas. O exame de 2021 tinha cronograma previsto para novembro ou dezembro, mas ainda não tem data confirmada.

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