Ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fellipe Sampaio /SCO/STF
Ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Nunes Marques , do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou desconforto nesta terça-feira (23) com um comentário do ministro Gilmar Mendes durante sessão da Segunda Turma. Quando fazia críticas ao voto Nunes Marques, Gilmar disse que "isso aqui não tem a ver com garantismo nem aqui, nem no Piauí". O estado foi onde Nunes Marques nasceu.

"Não posso deixar de registrar. Sei que não teve essa intenção, mas isso pode ser interpretado como um menoscabo [desprezo] a um colega ou como uma forma de desprezar um estado pequeno", disse Nunes Marques.

Em seu voto, o ministro defendeu o "garantismo" , vertente do direito que tem como objetivo manter os direitos fundamentais de réus, mas disse que as conversas hackeadas entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato eram "oriundas de prática de crimes". Por isso, disse que elas não poderiam ser usadas como provas. A defesa de Lula, porém, não cita nenhum desses diálogos no habeas corpus que pede a suspeição de Moro.

"Não se sinta ofendido, não foi minha intenção. Não faço discriminações, mas como eu costumo dizer, eu sou duro na bola. Não podemos escamotear as coisas. Temos que ser justos com o próprio debatedor", disse Gilmar Mendes em resposta.

"Mas isso que eu acabei de ler, cada um que sustente como que quiser. Isto não tem nada a ver com o devido processo legal. Não tenho nada a retirar. Vossa Excelência sabe do que estamos falando", completou o ministro ao se referir ao entendimento de Nunes Marques.

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