Gilmar Mendes pediu a palavra para confrontar argumentos dados pelo ministro Nunes Marques, que votou contra a suspeição de Moro
O Antagonista
Gilmar Mendes pediu a palavra para confrontar argumentos dados pelo ministro Nunes Marques, que votou contra a suspeição de Moro

Após  o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), votar contra a suspeição do ex-juíz Sergio Moro no caso do Triplex do Guarujá envolvendo o ex-presidente Lula, o ministro Gilmar Mendes , que já havia votado, tomou novamente a palavra para rebater o voto de Marques.

O magistrado citou fatos elencados pela defesa como a condução coercitiva de 2016, a divulgação da conversa de Dilma Rousseff, a quebra de sigilo telefônico de advogados, o que chamou de "modelo totalitário" , e rebateu o principal argumento de Nunes Marques sobre a interceptação de mensagens obtidas por hackers.

"Não estamos falando de hackers, ministro, mas de uma informação cínica vinda de um juiz. Só isso já seria suficiente para reconhecer a quebra da parcialidade", disse Gilmar.

"Não houve ninguém, até agora, capaz de dizer que houve um dado falso nessas revelações [as mensagens obtidas pelos hackers]. Me choca tudo aquilo que se revela. Ou o hacker é um ficcionista, ou estamos diante de um grande escândalo, e não importa o resultado deste julgamento. A desmoralização da justiça já ocorreu. O tribunal de Curitiba é um tribunal de exceção ."

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Em outro momento, o magistrado questionou: "algum dos senhores compraria um carro do Moro ? Do  Dallagnol ?". Gilmar disse, ainda, que "estamos diante de um julgamento histórico em que cada um passará para a história com seu papel". Referindo à imparcielidade do processo, ele disse que "os falsos espertos acabam sendo pegos e desmoralizados"

"Esta corte, por pessoas mais sábias do que nós, antes do que nós, já disse de maneira muito clara que o habeas corpus é instrumento, sim, parar afirmar a suspeição de magistrado", continuou Gilmar Mendes.

Com o voto de Nunes Marques, agora o placar está em 3 a 2 a favor de Moro. Votaram contra a suspeição dele os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia e Nunes Marques. Foram vencidos os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Cármen Lúcia, porém, sinalizou que pode mudar seu voto.

Matéria em atualização

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