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Reprodução/Twitter
TCU proibiu o governo Bolsonaro de anunciar em sites que promovem ilegalidades e que não têm relação com o público das campanhas

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo determinou nesta sexta-feira (10) que o governo federal pare imediatamente de destinar recursos de publicidade para sites e canais que promovem atividades ilegais ou que não tenham conteúdos relacionados com o público-alvo de suas campanhas.

De acordo com levantamento da Folha de S.Paulo , o governo de Jair Bolsonaro destinou verba publicitária nas campanhas pela  reforma da Previdência a sites infantis , em russo e canais de jogo do bicho, prática ilegal no Brasil.

As informações a respeito dessa destinação de recursos estão detalhadas em planilhas da Secretaria de Comunicação da Presidência da República ( Secom ), responsável pelos anúncios e a escolha dos veículos em que são divulgados, que hoje faz parte do recriado Ministério das Comunicações, chefiado por Fábio Faria .

Comandada à época pelo secretário Fabio Wajngarten , a Secom contratou agências publicitárias que compram espaços para anúncios em páginas da internet, canais do YouTube e aplicativos para celular por meio do GoogleAdsense, e o órgão nega que tenha escolhido divulgar suas campanhas em sites infantis, em russo, ligados ao jogo do bicho e ainda endereços responsáveis por fake news , as notícias falsas.

Por meio do GoogleAdsense , o anunciante não escolhe exatamente os veículos em que as publicidades serão divulgadas, mas permite escolhe de que público se quer atingir, quais os tipos veículos não quer veiculação e palavras-chave que devem ser vetadas. Por exemplo, poderia ter sido escolhido vetar as divulgações em páginas com a palavra-chave "jogo do bicho", em sites que não estão na língua portuguesa e ainda canais com o público infantil como alvo.

Após o anunciante escolher seus critérios para as campanhas serem divulgadas, a ferramente do Google distribui a propaganda aos veículos que cumprem os requisitos, sem uma seleção manual por páginas infantis, por exemplo. Para evitar distribuir campanhas de reforma previdenciária nesses locais, que não têm o público-alvo buscado, o governo teria de limitar o anúncio e escolher melhor onde seriam apresentadas as propagandas feitas com dinheiro público.

As planilhas da Secom revelam que, dentre os 20 canais no YouTube que mais veicularam anúncios da campanha da Nova Previdência  nos períodos de 6 de junho a 13 de julho de 2019 e de 11 a 21 de agosto de 2019, 14 têm como foco o público infantojuvenil, como o canal Turma da Mônica.

A lista cita o Get Movies, também voltado para crianças e 100% em russo, como um dos que mais recebeu anúncios pela reforma da Previdência, com 101.532 peças divulgadas.

O endereço resultadosdobichotemporeal.com.br., página de jogo do bicho, recebeu 319.0082 inserções do governo Bolsonaro .

Além de proibir a veiculação das campanhas em sites que promovam práticas ilegais, a decisão do TCU também cobra que o Ministério das Comunicações se explique em 15 dias sobre as despesas publicitárias, investigue os fatos e apresente "evidências robustas que afastem a ocorrência dos indícios de irregularidade". O tribunal ainda pediu todas as planilhas de compra de espaços publicitários no GoogleAdsense ou sistemas similares para analisar os dados.

O TCU cobra que a investigação não fique restrita à reforma da Previdência e englobe as demais campanhas feitas pelo governo federal.

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