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Integrantes das forças-tarefas, porém, defendem respeito à lista tríplice; ele foi vice do ex-procurador-geral Rodrigo Janot no auge da Lava Jato

José Bonifácio de Andrada, possível novo PGR arrow-options
Jorge William/Agência O Globo
Bonifácio de Andrada já foi advogado-geral da União na gestão de FHC

Em meio à imprevisibilidade na escolha do novo procurador-geral da República (PGR), o nome do subprocurador José Bonifácio de Andrada foi bem recebido nos bastidores por integrantes e ex-integrantes das forças-tarefas da Lava Jato.

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A avaliação dos investigadores da operação é que o cenário ideal seria que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) respeitasse a lista tríplice da categoria para a PGR , para garantir independência e transparência na escolha. Entretanto, como Bolsonaro tem sinalizado que não precisa seguir a lista, o nome de Bonifácio é considerado positivo para as investigações, pelo fato dele ter sido vice do ex-procurador-geral Rodrigo Janot no auge da Lava Jato. Segundo os investigadores, Bonifácio conduziu com firmeza os casos criminais.

As forças-tarefas têm divulgado notas públicas de apoio à lista tríplice e, por isso, não se manifestarão em favor de Bonifácio. O apoio ao nome dele é apenas informal, nos bastidores do Ministério Público Federal (MPF).

"Se a decisão do presidente for rasgar a lista tríplice , Bonifácio é um bom nome para ser indicado", comentou um procurador, sob condição de anonimato.

O nome de Bonifácio ganhou força nos últimos dias, ao mesmo tempo em que o favorito, até então, o subprocurador Augusto Aras, sofreu forte desgaste no Planalto após ser atacado por deputadas do PSL. Bonifácio foi recebido por Bolsonaro na última terça-feira.

Ligado aos tucanos

Pesa contra a indicação de Bonifácio, porém, sua ligação histórica com o PSDB — o subprocurador já atuou como advogado-geral da União na gestão Fernando Henrique e também como advogado-geral de Aécio no governo de Minas Gerais.

Outro ponto de desgaste, este perante ao próprio MPF, está o fato de que Bonifácio de Andrada concorreu à lista tríplice e assinou um documento se comprometendo a respeitar o resultado e só aceitar uma indicação dos nomes que constam na relação.

Bonifácio foi o sétimo colocado na disputa interna, com 154 votos. O primeiro colocado da lista tríplice foi o subprocurador Mario Bonsaglia, com 478 votos. O candidato também foi recebido por Bolsonaro na última terça-feira.

Com a queda de Aras, os nomes de Bonifácio e de Bonsgalia foram considerados bem avaliados dentro do Palácio do Planalto para a PGR . A decisão, porém, segue incerta.