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Aparelho criptografa mensagens e ligações, mas não permite instalação de apps; Bolsonaro, que também foi alvo, utilizava o Whatsapp até mês passado

Augusto Heleno arrow-options
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - 10.7.19
O General Augusto Heleno comanda o Gabinete de Segurança Institucional

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência divulgou nota oficial nesta quinta-feira para comentar o comunicado em que o Ministério da Justiça relata sobre ataques cibernéticos aos celulares do presidente Jair Bolsonaro. As invasões teriam sido feitas pelos supostos hackers presos pela Operação Spoofing, que teriam invadido também as contas do Telegram do ministro da Justiça, Sergio Moro, e de outras autoridades.

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O GSI , comandado pelo ministro Augusto Heleno, informou que disponibiliza ao governo federal, por intermédio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um aparelho celular denominado Terminal de Comunicação Seguro (TCS) e que cabe às autoridades "optar pelo equipamento e operá-lo conforme suas necessidades funcionais".

O TCS, que contém tecnologia própria da agência, possui funções de chamada de voz e troca de mensagens e arquivos, "criptografados com algoritmos de Estado", mas não permite a instalação de aplicativos comerciais, como o WhatsApp , por exemplo. Em café da manhã com jornalistas no mês passado, Bolsonaro afirmou que continuava a usar o app, ignorando a recomendação do GSI.

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que, por questão de segurança nacional, foi informado pela Polícia Federal (PF) de que aparelhos celulares utilizados pelo presidente sofreram ataques pelo grupo de supostos hackers que foi preso na última terça-feira. "Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República", informou.

'Brasil não é mais terra sem lei', diz Bolsonaro

No Twitter, no fim da manhã desta quinta-feira, Bolsonaro disse que os ataques são "um tentado grave contra o Brasil e suas instituições". Ele cobrou que os autores sejam "duramente punidos" e afirmou que "o Brasil não é mais terra sem lei". O presidente também garantiu que não há conteúdo comprometedor nos dados de seus celulares.

"Por oportuno, informo que jamais tratei temas sensíveis ou de segurança nacional via celular", acrescentou. 

O GSI informou ainda que, considerando a complexidade do tema, nos cenários nacional e internacional, publica preventivamente recomendações e alertas de segurança à administração pública federal, no site do Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo.

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"Por fim, ressaltamos que detalhes e desdobramentos sobre o assunto serão apurados por Inquérito instaurado pela Polícia Federal", concluiu a nota.