Tamanho do texto

Ministério da Justiça afirmou que a Polícia Federal concluiu que os hackers que vitimaram autoridades também invadiram celulares do presidente

Bolsonaro arrow-options
Isac Nóbrega/PR
Bolsonaro também foi alvo de invasões de hackers, diz ministério da Justiça

O Ministério da Justiça informou, através de nota oficial , que celulares utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro também foram invadidos pelos hackers que vitimaram os ministros Sergio Moro, Paulo Guedes e outras autoridades. “Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao presidente da República”, diz o documento.

Leia também: Conheça "Vermelho", apontado como o hacker que invadiu celular de Moro

Ao desembarcar em Manaus, onde participa de solenidade de entrega de Medalhas da Olimpíada Internacional de Matemática Sem Fronteiras 2019, o presidente  Jair Bolsonaro  falou sobre as invasões, afirmando que sempre tomou cuidado ao tratar de informações estratégicas e que hackers apenas "perderam tempo" com ele.

“Eu achar que meu telefone não estava sendo monitorado por alguém seria muita infantilidade. Não apenas por eu ser capitão do Exército, conhecedor da questão da inteligência. Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas, essas não são passadas via telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se porventura algo vazar aqui no meu telefone. Não vão encontrar nada que comprometa. Perderam tempo comigo”, afirmou.

Mais cedo, a líder do governo no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), foi a primeira a falar sobre o caso. "É gravíssimo", escreveu a parlamentar em seu perfil no Twitter.

Confira a nota do Ministério da Justiça na íntegra:

O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República.

Entenda o caso

O juiz Vallisney de Souza Oliveira , da 10ª Vara Criminal do Distrito Federal, autorizou a prisão temporária dos quatro suspeitos de integrarem uma quadrilha supostamente responsável pela invasão hacker ao celular de Moro e outras autoridades na última terça-feira (23).

No dia seguinte, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira foi detido em São Paulo, Walter Delgatti Neto foi preso em Araraquara e Danilo Cristiano Marques foi capturado em Ribeirão Preto. Todos são naturais de Araraquara e se conhecem.

Delgatti Neto, conhecido como " Vermelho " e dono de uma ficha criminal extensa, foi o único a admitir participação no crime.  Gustavo Henrique Elias Santos, por sua vez, negou ser um dos hackers e também apontou para "Vermelho", afirmando que viu algumas das mensagens de autoridades vazadas em posse do amigo.

Leia também: Suposto hacker compartilhava vazamentos e respondia Moro e Deltan no Twitter

As investigações que resultaram na operação começaram após os ataques sofridos por Moro. Há pouco mais de dois meses, ele teria sido alvo de uma tentativa de invasão de suas contas no aplicativo Telegram.

Em apresentação para mostrar como se deram as investigações que chegaram ao grupo de hackers , nesta quarta-feira (24), o delegado federal da PF , João Vianey Xavier Filho, disse 
que o número de vítimas alvo do ataque é alto.

"Identificamos que cerca de mil números diferentes foram alvos desse mesmo modus operandi dessa quadrilha. Há possibilidade de um número muito grande de possíveis vítimas desse ataque que está sendo investigado agora", afirmou o delegado.

Luiz Spricigo Jr., perito criminal federal que também participou da coletiva, revelou que há um "forte indicativo" que o ministro Paulo Guedes também foi hackeado , como informado na última segunda-feira (22).

"Com um dos investigados estava uma conta vinculada ao nome do ministro Paulo Guedes . Ainda temos que confirmar, mas é um forte indicativo de que a conta seja realmente a do 
ministro", ressaltou Spricigo Jr.

Xavier Filho reiterou ainda que o intuito do grupo é praticar o chamado estelionato eletrônico, com fraudes fiscais com internet banking e cartões de crédito com o intuito de 
obter benefícios em dinheiro. "Foi localizada uma quantia razoável de dinheiro, quase R$ 100 mil em espécie, que já estão depositada em juízo", revelou.

Leia também: Juiz: suspeitos de hackear celulares podem integrar organização

As autoridades também disseram que estão em contato com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para "isolar as fragilidades" e que "vão pedir reunião para compartilhar o que foi apurado" na tentativa de evitar que o golpe dos hackers seja replicado para outras vítimas.