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Partido anunciou processo interno contra quem contrariou a orientação; 'Quem votou a favor desse absurdo foi, no mínimo, incoerente', diz a sigla

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Reprodução/Youtube
Nas imagens, é possível ver a deputada Tabata Amaral ao lado das lideranças do partido

Um dia depois de anunciar a abertura de um processo interno contra a deputada Tabata Amaral (SP) e outros sete parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência , o PDT publicou um vídeo da Convenção Nacional em que sua bancada no Congresso e demais membros fecham questão contra o projeto do governo de Jair Bolsonaro.

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A primeira imagem da publicação mostra a deputada de SP sorridente ao lado do presidente nacional do PDT , Carlos Lupi, na reunião de 18 de março.

Enquanto exibe a imagem de Lupi e Tabata , o vídeo mostra o áudio de outro momento da Convenção , em que o ele pede aos participantes da reunião para manifestarem seu apoio ou não à proposta previdenciária do governo. Os que defendessem a decisão do partido de fechar questão contra a reforma deveriam erguer os crachás. Não é possível observar se a deputada ergueu ou não o objeto.

"Aqui no PDT, fazemos as coisas às claras e democraticamente. Em nossa Convenção Nacional, com a presença dos deputados federais e 550 membros, fechamos questão contra a Reforma da Previdência . Quem votou a favor desse absurdo foi, no mínimo, incoerente!", diz o post do partido no Twitter.

Na sequência, Lupi pede que os participantes da convenção que queiram discutir mais o tema antes de fechar questão contra a reforma levantem seus crachás. O presidente da legenda então proclama o resultado "por unanimidade" e solicita que isto seja registrado em ata.

Em texto escrito no próprio vídeo, o PDT argumenta que "550 membros, incluindo Tabata Amaral e demais parlamentares, representantes do PDT, aprovaram fechamento de questão contra esta Reforma da Previdência".

Oito dos 27 parlamentares da sigla — incluindo Tabata Amaral — divergiram do posicionamento aprovado por maioria do diretório nacional pedetista. O PDT anunciou abertura de processo interno para analisar se adverte, suspende ou expulsa estes representantes. Lupi adotou cautela para a decisão final, ciente de que, em caso de expulsão, a legenda perderá o mandato, de acordo com parecer do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Antes da votação, na quinta-feira (11), Tabata publicou um vídeo no Twitter no qual justificava seu voto "por convicção" a favor do texto-base do governo e buscava se distanciar do presidente Jair Bolsonaro. Ela descartou ter tomado sua decisão em troca de recebimento de emendas parlamentares. Nesta quinta-feira, a deputada disse que não se manifestaria a respeito da abertura do processo interno. O GLOBO tenta novo contato com ela.

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Em seu primeiro mandato, a deputada é uma das congressistas mais populares da atual legislatura, foi a sexta mais votada em São Paulo e é cotada para disputar a prefeitura da capital paulista. Diante da tensão com o PDT , Cidadania, PSDB e até PSL entraram na briga para ter Tabata em seus quadros.

Como Tabata, votaram "sim" ao texto base os pedetistas Alex Santana (BA), Subtenente Gonzaga (MG), Silvia Cristina (RO), Marlon Santos (RS), Jesus Sérgio (AC), Gil Cutrim (MA) e Flávio Nogueira (PI).