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Deputada contrariou PDT na reforma da Previdência e será alvo de processo no Conselho de Ética do partido; Carlos Lupi diz que ela pode não ser expulsa

Tabata Amaral arrow-options
Jane de Araújo/Agência Senado - 27.6.19
Partidos de Bolsonaro e Doria entram na briga por Tabata Amaral

Ameaçada por um processo de expulsão por ter contrariado a determinação do seu partido e votado a favor da reforma da Previdência na quarta-feira (10), a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) virou alvo de cobiça de outros partidos. Depois de comentários de integrantes do Cidadania e do PSL, foi a vez de o governador de São Paulo João Doria(PSDB) dizer que gostaria de ver a jovem parlamentar em outra sigla.

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Nesta quinta-feira (11), o PDT anunciou que vai abrir um procedimento na Comissão de Ética do partido contra Tabata Amaral e os outros sete deputados da sigla que votaram a favor da nova Previdência. Em entrevista ao jornal O Globo , o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, disse que será garantido o amplo direito de defesa e a decisão final caberá ao diretório nacional do partido.

Segundo ele, ainda não é certo que o processo terminará em expulsão. O estatuto do PDT prevê as sanções de advertência, suspensão e expulsão.

Apesar disso, líderes de outros partidos já mostram interesse na parlamentar. Ao responder o comentário da economista Elena Landau no Twitter, o presidente nacional do Cidadania , Roberto Freire, disse que vai "lutar" por Tabata: “Se houver oportunidade (de levar Tabata para o Cidadania) vamos lutar, pois a deputada é uma grata revelação política".

Também na quinta-feira, o deputado Alexandre Frota (PSL-SP) usou as redes sociais para ironizar o processo de expulsão feito pelo PDT: “Tabata Amaral, o PSL está de braços abertos para você .”

Doria entrou na lista dos cortejadores de Tabata ao declarar ao jornal Folha de S.Paulo que a jovem tem "rosto, alma e coração do novo PSDB ". Ele disse que conversou com a parlamentar, mas não fez nenhum convite oficial.

Trocar de partido, no entanto, não é tão simples. Um deputado que troca de partido no meio de uma legislatura perde seu mandato, já que o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que o mandato de um deputado pertence ao partido. Por outro lado, a Corte já consolidou o entendimento de que o parlamentar pode trocar de sigla e manter o mandato caso seja expulso.

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Aos 25 anos, Tabata Amaral foi eleita para seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados com 264 mil votos. Ligada a movimentos de renovação política, a jovem fez campanha ao lado do candidato à Presidência pelo PDT Ciro Gomes. Sua relação com Doria e o apoio à reforma da Previdência geraram reclamações de eleitores do partido.