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Líderes religiosos comemoram participação, a primeira de um presidente eleito na história, e veem chance de levar adiante pauta de costumes

Bolsonaro
Alan Santos/PR
Bolsonaro será o primeiro presidente eleito a participar da Marcha

Em mais um gesto de aproximação com osevangélicos , o  presidente Jair Bolsonaro vai participar nesta quinta-feira (20) da 27ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. Será a primeira vez que um presidente em exercício marca presença no evento, que reuniu mais de um milhão de pessoas no ano passado, segundo seus organizadores.

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Líderes religiosos avaliam que a proximidade é importante para a defesa de suas pautas de costumes , temas também defendidos por Bolsonaro , como críticas contra o  aborto e contra a descriminalização das  drogas.

Os evangélicos , cerca de 30% da população brasileira, tiveram papel importante na eleição de Bolsonaro. No início de governo, no entanto, lideranças reclamavam de falta de espaço e interlocução com o governo. Nos últimos três meses, Bolsonaro tem tentado reverter essa percepção. A Marcha para Jesus será o quinto evento religioso de que o presidente participará nos últimos três meses.

Fundador e ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica , Hidekazu Takayama (PSC-PR), afirma que a intenção da marcha é mostrar a força do segmento e afirmar a defesa dos valores cristãos, que representam mais de 80% dos brasileiros, se considerada a soma de católicos e os evangélicos.

"Não queremos uma ditadura de uma maioria cristã. Embora o país seja laico, o governo administra um país que tem a cara cristã. Jamais vamos aceitar uma ditadura de uma minoria, que apresenta pautas favoráveis ao aborto e das drogas, que se confrontam com nosso valores. São esses cristãos que dão respaldo ao Bolsonaro. E pode ter certeza que essa defesa das nossas pautas cada dia vai aumentar mais", afirma Takayama .

De acordo com lideranças políticas, o grupo também quer ir além: a intenção é aproveitar a afinidade com Bolsonaro para tirar do papel algumas medidas. No congresso, deputados da bancada evangélica articulam um projeto que pretende rever decisão do Supremo da semana passada, quando a corte aprovou a criminalização da homofobia. Não por acaso, o presidente já chegou a sugerir que o Supremo poderia ter um ministro evangélico.

"Ao proferir a decisão, o Supremo deixou uma porta aberta e deixou claro que quem deve legislar sobre a questão da homofobia é o Parlamento. Estamos estudando um projeto — afirma o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), hoje o principal interlocutor entre a bancada evangélica e o presidente.

Pastor da assembleia de Deus, Feliciano tem estado ao lado de Bolsonaro em eventos religiosos. Segundo ele, é importante para os evangélicos verem que o presidente defende "valores cristãos" e apoia as pautas desse segmento. 

Nas últimas semanas, o pastor conseguiu convencer o presidente a receber membros da bancada. Segundo o deputado, sua intenção é levar ao Planalto três ou quatro deputados por semana. Entre os que já estiveram com Bolsonaro estão Silas Câmara (PRB-AM), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Abilio Santana (PL-BA), Otoni de Paula (PSC-RJ) e Davi Soares (DEM-SP), filho do missionário R.R Soares, da igreja Internacional da Graça de 
Deus.

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Organizada pela igreja Renascer em Cristo , comandada pelo apóstolo Estevam Hernandes, a marcha tem o apoio das maiores igrejas pentecostais, como Assembleia de Deus e Universal do Reino de Deus.

Bolsonaro esteve na edição do ano passado, mas ainda enquanto pré-candidato ao Planalto, e em 2015, como deputado federal.