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Ministro do Gabinete de Segurança Institucional diz que presidente eleito sofreu novas ameaças de morte e recomendou cautela na cerimônia de posse

Ministro-chefe do GSI afirma que Bolsonaro recebeu novas ameaças de morte e recomenda cautela em cerimônia de posse
Tomaz Silva/Agência Brasil
Ministro-chefe do GSI afirma que Bolsonaro recebeu novas ameaças de morte e recomenda cautela em cerimônia de posse

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, afirmou no início da tarde desta segunda-feira (3) que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sofreu novas ameaças nos últimos 15 dias.

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A declaração foi dada logo após a cerimônica de comemoração dos 80 anos da criação do Gabinete de Segurança Institucional, no Palácio do Planalto. No momento, o general falava sobre os cuidados que o novo governo terá de ter com a segurança e recomendou cautela na cerimônia de posse de Bolsonaro , no próximo dia 1º de janeiro de 2019, sem, no entanto, especificar o tero das novas ameaças.

"Eu posso te falar que, até 15 dias atrás, houve. Houve novas ameaças de morte [contra Bolsonaro]", afirmou Etchegoyen antes de ser perguntado sobre a possibilidade de o presidente eleito desfilar em carro aberto no dia da posse, quando afirmou que as condições ainda estão em negociação com a equipe de transição. “A decisão será do presidente. Eu presidiria tudo com cautela. Nesse momento, eu tenho que me atualizar, porque passei fora duas semanas, mas eu recomendaria que todas as medidas tomadas fossem presididas por cautela”, disse.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional também reafirmou que a nova adminitração exigirá cuidados mais intensos e precisos, porque, segundo ele, Bolsonaro é alvo de agressões constantes. Vale lembrar que o presidente eleito sofreu um atentado à faca ainda durante a campanha do primeiro turno. “Temos um presidente que sofreu um atentado e vem sofrendo agressões constantes, basta ver nas mídias sociais, a quem tem que ser dada a garantia, não a ele, mas também ao vice- presidente, das melhores condições de governo. Certamente a segurança do presidente eleito, da nova administração, exigirá cuidados mais intensos, mais precisos.” declarou o ministro.

A declaração de Etchegoyen ocorre menos de uma semana depois que um dos filhos do presidente eleito, o vereador pelo Rio de Janeiro  Carlos Bolsonaro, afirmou no Twitter que a morte do pai "não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após de sua posse! É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário".

No dia seguinte, o próprio Bolsonaro foi convidado a comentar a declaração do filho e se resumiu a dizer que " minha morte interessa a muita gente ”, ao ser indagado sobre os riscos que corre como próximo presidente.

Preocupações com a saúde e segurança de Jair Bolsonaro

Bolsonaro foi atingido por uma facada na região abdominal no dia 6 de setembro durante um comício em Juiz de Fora
Reprodução
Bolsonaro foi atingido por uma facada na região abdominal no dia 6 de setembro durante um comício em Juiz de Fora

Durante a campanha presidencial, em um evento "corpo a corpo" nas ruas de Juiz de Fora (MG), Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado à faca . Após investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu que o agressor preso em flagrante, Adélio Bispo de Oliveira, agiu sozinho no momento do ataque e que a motivação "foi indubitavelmente política". Um laudo psiquiátrico elaborado por um profissional particular a pedido da sua defesa atestou que o acusado tem um transtorno grave .

Ainda assim, os filhos de Bolsonaro vivem pedindo maiores explicações sobre o caso através de suas redes sociais.

O ataque fez com que Bolsonaro tivesse que passar por duas cirurgias, uma emergencial, para conter o sangramento e o vazamento de fezes que poderiam causar infecção generalizada já que a facada atingiu uma importante artéria e uma parte do intestino do então candidato, e uma segunda para a colocação de uma bolsa de colostomia .

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A recuperação médica fez com que o presidente eleito tivesse que cancelar uma série de compromissos de campanha e, inclusive, negasse participar de todos os debates entre candidatos à Presidência promovidos a partir de então, no primeiro e no segundo turno.

Desde então, a segurança e a saúde de Bolsonaro foram alvo de muito mais atenção e cuidado por parte de pessoas próximas. Mesmo após deixar o hospital, o presidente passou a realizar eventos e reuniões apenas na sua própria casa ou na de apoiadores próximos e contar, inclusive, com equipamentos de camuflagem na sua equipe de segurança.

Antes mesmo disso, o próprio presidente eleito já tinha adotado como medida de segurança apenas utilizar voos de carreira, com passageiros comuns, quando não está num dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), como quando se deslocou do Rio de Janeiro para Brasília, pela primeira vez depois de eleito e foi, inclusive, criticado por estar dividindo o voo com seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão, e desrespeitando uma prática de vice e presidente nunca viajarem junto - no retorno, os dois voltaram em voos separados.

Recentemente, o futuro presidente fez novos exames pré-operatórios para verificar seu estado de saúde e confirmar ou não a cirurgia de remoção da bolsa de colostomia de Bolsonaro inicialmente marcada para o dia 14 de dezembro.  A operação, no entanto, acabou cancelada depois que os exames realizados no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, identifcaram "inflamação do peritônio e processo de aderência entre alças intestinais".

Dessa forma, novos exames serão realizados em janeiro e, segundo revelou o próprio presidente, estando liberado, ele poderá ser operados logo depois, ainda nos primeiros dias de mandato.

O caso clínico de Bolsonaro, inclusive, já exigiu uma certa mudança no rito pré-posse do novo presidente. A pedido da equipe e, ainda em função da cirurgia que acabou adiada, a equipe de transição pediu para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antecipar o julgamento das contas de campanha de Bolsonaro para que a  diplomação como presidente da República também pudesse ser antecipada para antes da hipotética cirurgia.

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As novas ameaças de morte que Bolsonaro recebeu, segundo o ministro de GSI, por sua vez, podem exigir uma nova alteração na programação da cerimônia de posse que também já foi alvo de pedido de antecipação no horário para que houvesse uma redução na sua extensão. Na ocasião desse pedido, porém, a preocupação da equipe de transição era em relação ao estado de saúde de Bolsonaro que ainda estaria se recuperando do procedimento cirúrgico e não quanto a questões de seguranças como parece ser agora.

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