
A cidade de Narrabri, na Austrália, planeja construir uma estátua de até 20 metros de comprimento em homenagem a uma lesma de cor rosa fluorescente encontrada somente nas florestas do Monte Kaputar. As informações são do The Sydney Morning Herald.
A espécie, conhecida como lesma-rosa-do-Monte-Kaputar (Triboniophorus aff. graeffei), vive em uma área de floresta de altitude próxima ao topo de um vulcão extinto, a cerca de 50 quilômetros de Narrabri.
O molusco pode atingir 20 centímetros de comprimento e costuma aparecer em períodos úmidos, principalmente depois de chuvas.
Como surgiu a ideia
A ideia surgiu em Sydney, onde a vereadora Alexandra Luxford, de Randwick, propôs a construção do monumento como parte da relação entre os dois municípios, que mantêm um vínculo de cidades-irmãs.
Em setembro de 2026, o Conselho Municipal de Randwick confirmou o apoio à iniciativa e se comprometeu a ajudar Narrabri a buscar recursos para financiar a obra.

O projeto prevê uma escultura de 10 a 20 metros de comprimento, com possibilidade de dimensões maiores conforme o dinheiro arrecadado. A proposta segue o modelo de atrações australianas construídas em tamanho exagerado, como a Grande Banana e o Grande Abacaxi, que funcionam como pontos turísticos.
O prefeito de Narrabri, Darrell Tiemens, afirmou ao jornal The Sydney Morning Herald que a escultura combinaria com esse tipo de atração no país.
Somos um país grande, adoramos nossas coisas gigantes e achamos que ela se encaixaria perfeitamente na coleção excêntrica de atrações de grandes dimensões da Austrália. Darrell Tiemens, prefeito de Narrabri.
O prefeito também explicou que a intenção é incentivar os visitantes a ficarem mais tempo na região, em vez de apenas pararem para abastecer o carro ou fazer uma refeição durante a viagem.
Tiemens disse ainda que a escultura deverá ser construída como uma obra de arte, e não apenas como uma atração turística.

Espécie vive em uma única região do mundo
A lesma-rosa-do-Monte-Kaputar chama a atenção pela cor rosa vibrante, que chama a atenção em meio à vegetação das florestas úmidas onde vive. O animal passa o dia escondido entre folhas caídas e costuma sair à noite para se alimentar de líquens e algas.
A espécie faz parte de um grupo de animais que vivem em ambientes de altitude no Monte Kaputar, incluindo 11 espécies de caracóis. Sua presença é importante para a conservação dessa comunidade, encontrada em uma área restrita.
As mudanças climáticas, o aumento do risco de incêndios e a ação de animais introduzidos na região, como cabras e porcos, estão entre as ameaças ao ambiente onde esses moluscos vivem.
Os incêndios florestais que atingiram a Austrália em 2019 e 2020 também levantaram preocupações sobre a extinção da espécie. Porém, pesquisas, voltaram a achar pequenos grupos de lesmas em áreas isoladas de rochas perto do topo do monte.
Após essas descobertas, o Serviço de Parques Nacionais e Vida Selvagem de Nova Gales do Sul lançou o aplicativo Slug Sleuth, que permite aos visitantes registrar onde encontraram o animal. As informações ajudam pesquisadores a acompanhar as lesmas e caracóis da região.
Outra homenagem já foram feita
A proposta de Narrabri não seria a primeira homenagem artística à espécie. A cidade vizinha de Boggabri já possui uma escultura menor inspirada no molusco.
Em 2023, Griffin Barber, então com 13 anos, também criou uma obra inspirada na lesma para o concurso australiano de arte sobre espécies ameaçadas Wild at Art, organizado pela Australian Conservation Foundation. O trabalho, chamado Hug the Slug, venceu a categoria de obra de arte mais incomum.
Escolhi esse animal porque ele é grande e fofo. Também é uma lesma, e a maioria das pessoas pensa ‘eca’ ou ‘que nojo’ quando pensa em lesmas, mas achei que era a coisa perfeita para fazer uma obra de arte. Griffin Barber.