Qual área será mais impactada pelo Super El Niño?

Região das Américas está entre as mais vulneráveis à seca causada pelo fenômeno, com milhões de pessoas dependentes da agricultura

El Niño ganha força e pode bater recorde histórico
Foto: Reprodução / Nasa
El Niño ganha força e pode bater recorde histórico

O Super El Niño deve ganhar força nos próximos meses e aumentar o risco de seca em diferentes regiões do mundo. Uma das áreas mais preocupantes é o Corredor Seco da América Central, onde a irregularidade das chuvas pode reduzir a produção de alimentos e afetar milhões de pessoas que dependem da agricultura .

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a região tem cerca de 10,5 milhões de habitantes, principalmente em Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala . Cerca de 60% dessa população vive em situação de pobreza, enquanto mais de dois milhões das famílias dependem da agricultura de subsistência .

O problema já aparece em Honduras . Na quarta-feira (19), o país colocou 234 dos 298 municípios em alerta por causa da seca, o que equivale a cerca de 80% do seu território. Entre as áreas em situação mais grave está a capital, Tegucigalpa.

O Corredor Seco é uma faixa de áreas de floresta tropical seca que atravessa o sul do México até o Panamá. A região passa por áreas próximas à costa do Pacífico e pelo centro da América Central, incluindo Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte da Costa Rica

A região é especialmente vulnerável porque já enfrenta períodos de chuva irregular e seca. Com o fortalecimento do El Niño, a chance é de que esse cenário fique ainda mais difícil para quem depende das chuvas para plantar e produzir.

El Niño pode ganhar força nos próximos meses

A preocupação aumenta porque as previsões indicam que o fenômeno deve aumentar ainda no segundo semestre de 2026.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que, entre julho e setembro, a temperatura média do Oceano Pacífico central pode ficar cerca de 2 °C acima do normal , um sinal de um El Niño forte.

Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê mais de 90% de chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro.

A possibilidade de o fenômeno atingir uma intensidade histórica  é estimada em 69%.


Seca pode ameaçar produção de alimentos

Segundo a FAO, a América Central e o Caribe têm 70% de chance de registrar chuvas abaixo do normal. 

Durante o El Niño, regiões que normalmente têm clima tropical úmido ou de monções podem ficar temporariamente mais secas . Em alguns locais, as condições podem se comparar das encontradas em áreas de savana . Partes da encosta do Pacífico que já possuem vegetação de savana também podem enfrentar períodos ainda mais secos, próximos ao clima semiárido.

Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), 1,4 milhão de pessoas que moram nessa região precisa de ajuda urgente para ter acesso a alimentos após cinco anos seguidos de chuvas irregulares.

Os agricultores estão entre os mais expostos porque  dependem diretamente da chuva para produzir. Mais de 20% da população rural do Corredor Seco trabalha no setor agrícola, enquanto mais de um terço vive na pobreza.

A agricultura corresponde a cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da região e responde por cerca de um quinto dos empregos. Por isso, uma queda na produção pode reduzir tanto a quantidade de alimentos quanto a renda das famílias.

Quem tem menos recursos também encontra mais dificuldade para instalar sistemas de irrigação, armazenar água e combater pragas e doenças.

Segundo a FAO, mais de 80% dos impactos das secas sobre a agricultura ocorrem em países de baixa e média renda.

Durante o El Niño de 2015-2016, o fenômeno chegou a agravar uma seca que já estava acontecendo e afetou cerca de 4 milhões de pessoas. O novo episódio pode encontrar uma população que já enfrenta dificuldades causadas por anos de chuvas irregulares, secas e períodos de chuva excessiva.