
Países europeus, como França e Alemanha, começaram a deslocar militares para a Groenlândia nesta quinta-feira (15), enquanto a Dinamarca e seus aliados organizam exercícios militares com o objetivo de demonstrar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a segurança da ilha está garantida. Trump tem reiterado o interesse em colocar o território sob controle norte-americano. As informações são da Reuters.
Durante a quarta-feira (13), os representantes dos Estados Unidos e da Dinamarca e da Groenlândia realizaram um encontro na Casa Branca.
O encontro acabou por evitar constrangimentos públicos semelhantes aos enfrentados pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, no ano passado. Entretanto, não resultou em uma solução imediata para o impasse diplomático atual.
Trump sustenta a ideia de que a Groenlândia, por sua posição estratégica e abundância de recursos minerais, é essencial para a segurança dos Estados Unidos. Segundo ele, o país precisaria manter controle sobre a ilha para evitar a ampliação da presença russa ou chinesa na região.
O presidente norte-americano afirmou ainda que todas as alternativas estão sendo consideradas para assegurar o território, alegando que o governo dinamarquês não teria capacidade de conter a influência de Moscou e Pequim no Ártico.
Reforço militar
A Groenlândia e a Dinamarca reiteram que a ilha não está à venda e classificam como imprudentes as ameaças de uso da força, além de defenderem que eventuais questões de segurança sejam tratadas entre aliados.
Países da União Europeia manifestaram apoio a Copenhague, com diversos líderes alertando que uma eventual tomada militar do território pelos Estados Unidos poderia, na prática, representar o fim da OTAN.
Antes da reunião realizada na quarta-feira, a Groenlândia e a Dinamarca informaram que iniciaram o reforço de sua presença militar na ilha e em áreas próximas, em estreita coordenação com aliados da OTAN, como parte do compromisso de fortalecer a defesa do Ártico.
Nesse contexto, parceiros europeus como Alemanha, França, Suécia e Noruega anunciaram o envio de militares à região para dar início aos preparativos de exercícios de maior escala ainda este ano.
"As Forças Armadas Dinamarquesas, juntamente com diversos aliados árticos e europeus, irão explorar nas próximas semanas como uma maior presença e atividade de exercícios no Ártico podem ser implementadas na prática", afirmou o Ministério da Defesa da Dinamarca.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o tamanho do reforço militar. Segundo o Ministério da Defesa alemão, as Forças Armadas da Alemanha enviaram, na manhã desta quinta-feira (15), uma equipe de reconhecimento formada por 13 militares para Nuuk, a bordo de uma aeronave de transporte Airbus A400M.
Violação à soberania
Após a reunião na Casa Branca com o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance, os ministros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, informaram que Estados Unidos e Dinamarca irão criar um grupo de trabalho para tratar de diferentes questões relacionadas à ilha.
Eles ressaltaram, porém, que Washington mantém a posição de querer adquirir a Groenlândia, o que consideram uma violação inaceitável da soberania.