O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou, na tarde desta quinta-feira (8), a libertação de presos políticos, entre eles venezuelanos e estrangeiros e chamou a iniciativa do governo como um "gesto de paz".
"O governo bolivariano, junto com as instituições do Estado, decidiu colocar em liberdade um número importante de pessoas venezuelanas e estrangeiras. Esses processos de soltura estão ocorrendo desde este momento. Considere-se esse gesto do governo bolivariano de ampla intenção de busca pela paz",
disse Rodríguez, que é irmão da presidente interina Delcy Rodríguez.
Ele não informou, no entanto, o número de pessoas soltas até o momento e nem a nacionalidade dos estrangeiros mencionados.
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O que se sabe, diante de comunicado divulgado pelo governo da Espanha, é que há espanhóis no grupo.
Entre eles está a ativista venezuelana Rocío San Miguel, com nacionalidade espanhola, presa desde 2023. A libertação foi confirmada junto a familiares pelos jornais El País e The New York Times.
A ativista foi acusada de terrorismo e traição à pátria. Segundo o governo, ela participava de um plano para assassinar o ditador deposto Nicolás Maduro.
Rocío foi libertada e se prepara para embarcar para a Espanha, segundo o Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha.
Gesto unilateral
Segundo Jorge Rodríguez, a libertação dos presos políticos é "um gesto unilateral, que faz parte da estratégia de consolidar a convivência e busca fortalecer a união nacional contra as agressões externas sofridas recentemente".
O presidente da Assembleia Nacional informou que o governo não tem conversas com setores extremistas, que negam a política, apenas com instituições e partidos que respeitam a Constituição
venezuelana.
No anúncio, Rodríguez agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao Catar, afirmando que “responderam prontamente ao apelo” de Delcy Rodríguez.
“Eles sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela na defesa de seu direito a uma vida plena, autodeterminação, independência e paz”,
afirmou.
Linha de ação
Nessa quarta-feira (7), a presidenta interina Delcy Rodríguez, em reunião com ministérios do governo, afirmou que a linha de ação para garantir a estabilidade do país passa pelo resgate do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados na ação das forças militares dos Estados Unidos
no último sábado (3).
Segundo o governo venezuelano, a invasão deixou pelo menos 100 mortos .
A presidenta interina ainda destacou que é preciso preservar a paz territorial e manter o governo democrático diante da agressão estrangeira.
Ainda segundo ela, a unidade das forças revolucionárias venezuelanas é indispensável para a continuidade do projeto bolivariano, inaugurado pelo ex-presidente Hugo Chávez.