Protestos no Irã deixam dezenas de mortos
Reprodução/ DW
Protestos no Irã deixam dezenas de mortos

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que dois manifestantes são baleados durante protestos contra o regime no Irã . Segundo a mídia alinhada ao governo iraniano, dois manifestantes e um agente de segurança morreram após uma tentativa de invasão a uma delegacia.

De acordo com uma ONG sediada nos Estados Unidos, ao menos 38 pessoas já morreram desde o início da atual onda de manifestações, que começou há pouco mais de uma semana. A organização Human Rights Activists in Iran afirma ainda que mais de 2.200 pessoas foram detidas e que os protestos já alcançaram mais de 90 cidades do país.

A repressão tem sido marcada por violência, como relata o cientista político americano-iraniano Saeid Golkar, professor da Universidade do Tennessee em Chattanooga ( UTC). "Eles estão atacando hospitais, prendendo pessoas. Estão atirando nelas intencionalmente – nos olhos. Estão matando pessoas e tentando manter isso em segredo", afirma.

As manifestações tiveram início no fim de dezembro, impulsionadas pela alta da inflação e pela desvalorização do rial.

"A moeda iraniana perdeu mais de 50% do seu valor em relação ao dólar. E a inflação chegou a cerca de 52% nos últimos seis meses. Então, você pode imaginar que ficou muito difícil para os iranianos mais pobres, da classe social mais baixa, sobreviverem ao dia a dia. Se você perguntar ao governo, eles dirão que isso se deve às sanções internacionais impostas por outros países, como os EUA. Mas, mais importante ainda, isso se deve à má gestão e à corrupção do sistema", explica Golkar.

Com o avanço dos atos, as reivindicações passaram a ir além da economia, tecendo críticas diretas ao regime e fazendo exigências por mais liberdades sociais. Os atos já são considerados como os maiores protestos antigoverno desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral levou milhares de pessoas às ruas.

"Em 2022, as pessoas saíram às ruas em busca de um futuro melhor. Agora, elas estão saindo às ruas porque não conseguem colocar pão e manteiga na mesa. Portanto, estão lutando pela sobrevivência no presente", diz o cientista político.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha ameaçado intervir no Irã caso os protestos se tornassem violentos.

"Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente punidos pelos EUA", disse o primeiro americano.

E o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, respondeu:  "Nós conversamos com os manifestantes, as autoridades devem conversar com eles. Mas não há benefício em conversar com os manifestantes violentos. Os manifestantes violentos devem ser colocados em seu lugar".

Ainda é incerto se os protestos perderão força, como ocorreu em mobilizações anteriores.

Para Golkar, o cenário segue desfavorável aos manifestantes. "Eles [o povo iraniano] não têm armas, não têm a mídia. E você tem um sistema muito repressivo que tem a intenção de fazer o que for necessário para permanecer no poder" , afirma.

*Com informações da DW

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