
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país se posicionará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão deve ser apresentada na reunião de embaixadores do bloco europeu prevista para esta sexta-feira (9).
A declaração de Macron foi feita por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter). "A França decidiu votar contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul", afirmou.
A fala de Macron consolida o país como o principal polo de oposição ao avanço do tratado. Além do país, Irlanda, Hungria e Polônia também manifestam resistência.
Resistência francesa
Nesta quinta-feira (8), produtores rurais protestaram na França e na Grécia contra o possível avanço do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, bloqueando estradas e pontos estratégicos com tratores.
Na avaliação de agricultores franceses, o tratado representa uma ameaça por permitir a entrada de produtos mais baratos da América do Sul, oriundos de países como Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, que seguiriam normas ambientais consideradas menos rigorosas.
Desde dezembro, o presidente Emmanuel Macron afirma que o tratado não é bem visto. A oposição francesa já havia levado ao adiamento da votação no bloco europeu, mesmo após a inclusão de mecanismos de proteção ao agronegócio local. Uma nova votação sobre o tema está prevista para esta sexta-feira (9).
Assinatura do acordo
O governo francês afirma que, ainda que o acordo seja aprovado pela maioria dos países da União Europeia, seguirá atuando para barrar sua aplicação no Parlamento Europeu.
Apesar da oposição, a Alemanha, Espanha e, mais recentemente, a Itália manifestaram apoio ao tratado e, de acordo com autoridades do bloco, esse alinhamento pode garantir a aprovação mesmo sem o aval francês.
A assinatura do acordo que estava prevista para ser realizada durante a cúpula em Foz do Iguaçu no dia 20 de dezembro de 2025, foi adiada devido à debates internos da própria União Europeia.
Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou em um discurso: “Tínhamos em nossas mãos a oportunidade de transmitir ao mundo mensagem importante em defesa do multilateralismo e de fortalecer nossa posição estratégica em um cenário global cada vez mais competitivo. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola".
A expectativa é de que as negociação sejam firmadas ainda neste mês de janeiro, após as discussões que já se arrastam por quase três décadas.