
A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a captura de Nicolás Maduro e classificou a operação dos Estados Unidos em Caracas, na Venezuela, como uma violação ao princípio fundamental do direito internacional.
O posicionamento da ONU vem três dias após a realização de uma operação militar dos EUA que culminou na captura de Maduro e da esposa, Cília Flores, na madrugada do último sábado (3).
Na ocasião, a porta-voz do escritório de diretos humanos da organização, Ravina Shamdasani, salientou que nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra "a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado".
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Aliados repudiam ação dos EUA
Nos discursos durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada na última segunda-feira (5), Rússia e China subiram o tom ao criticar a ação norte-americana na Venezuela.
Na ocasião, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, chamou o presidente Donald Trump de "cínico e hipócrita". Ademais, Nebenzya algeou que a intenção da Casa Branca é a partir de uma "operação criminosa para tomar os recursos energéticos".
O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sérgio Danese, também condenou a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
No discurso, Danese se referiu a ação como uma violação grave do Direito Internacional e da Carta da ONU.
"O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", afirmou

Captura
Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram capturados em uma operação militar dos EUA em Caracas, na Venezuela, na madrugada de 3 de janeiro.
A ação, ordenada pelo presidente Donald Trump, envolveu helicópteros, ataques aéreos contra defesas venezuelanas e tropas especiais que retiraram o casal à força. Eles foram transportados para Nova York, onde passaram por audiência inicial em tribunal federal na última segunda-feira (5).

Acusações
Maduro e Flores enfrentam acusações de narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e explosivos. Promotores americanos os descrevem como líderes de um cartel ligado a grupos terroristas que enviaram toneladas de drogas aos EUA. O julgamento ocorrerá no Distrito Sul de Nova York.