A pedido da Colômbia, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta segunda-feira (5), em Nova York, para discutir a crise na Venezuela. "Crise", aqui, é licença poética.
Como esperado, cada ator ali envolvido fez o seu papel. Brasil, China e Rússia repudiaram a ação militar liderada por Donald Trump que bombardeou instalações militares, sequestrou Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, e deixou ao menos 40 mortos no caminho.
Os acusados fingiram que não era com eles. Guerra, que guerra?, disse o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz.
Segundo ele, o que aconteceu em Caracas foi uma ação policial para proteger os norte-americanos do narcoterrorismo – e para evitar que as reservas energéticas da região sigam nas mãos de inimigos. Bom saber que, agora, ninguém mais usa drogas nas ruas de Nova York ou alguma outra metrópole dos EUA.
Waltz assumiu ali o papel que Trump imagina ser de seu próprio país: a de policial/xerife do mundo. Falta explicar quem concedeu este mandato a eles.
Historicamente cabe à ONU estabelecer freios e dizer que não se pode invadir o quintal do amiguinho sem a autorização do Conselho de Segurança e nem de seu Congresso. Trump passou o trator em tudo isso e ainda ameaça repetir a dose pra quem reclamar.
Antonio Gutierrez, o diretor-geral da entidade, pode até dizer que não gostou nada da agressão. Sabe quem vai ouvir? Ninguém.
A própria Venezuela vai espernear como pode. Ao menos diante da plateia. Enquanto isso, Maduro negocia asilo em Belarus e a presidente interina, Delcy Rodriguez, já dá sinais de que não quer guerra com ninguém. É um convite para Washington fazer o que bem quiser com o petróleo alheio.
A reunião do Conselho de Segurança virou, assim, uma missa de corpo. O enterro é da própria ONU.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG