Camilla Parker-Bowles
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Camilla Parker-Bowles

A rainha Camilla falou publicamente pela primeira vez sobre uma  agressão sexual sofrida durante a adolescência, afirmando que o episódio a deixou “furiosa” e “cheia de raiva”. O relato foi feito durante uma entrevista à BBC Radio 4, no programa Today, ao abordar temas como violência doméstica e abuso sexual.

O ataque ocorreu quando Camilla tinha entre 16 e 17 anos, durante uma viagem de trem com destino à estação de Paddington, em Londres. O caso havia sido mencionado anteriormente no livro Power and the Palace, lançado neste ano, mas nunca havia sido detalhado pela própria rainha.

Rei Charles e Camilla Parker Bowles, rainha consorte
GEOFF PUGH
Rei Charles e Camilla Parker Bowles, rainha consorte


Segundo o relato, um homem a tocou indevidamente enquanto ela lia um livro. Camilla reagiu imediatamente, acertando o agressor com o salto do sapato. Ao chegar à estação, ela denunciou o homem, que acabou sendo preso.

“Eu estava lendo meu livro quando esse rapaz ou melhor, homem me atacou. E eu lutei de volta”, contou a rainha em entrevista concedida na Clarence House ao comentarista esportivo John Hunt, à filha dele, Amy, e à jornalista Emma Barnett.

Camilla disse que, por muito tempo, o episódio ficou “escondido no fundo da memória”, mas voltou à tona após ouvir histórias recentes de violência. “Foi uma agressão física. O que me lembro claramente é da raiva. Eu estava extremamente furiosa”, afirmou.

Ela também recordou o momento em que desceu do trem e foi recebida pela mãe. “Ela olhou para mim e perguntou por que meu cabelo estava todo arrepiado e por que faltava um botão do meu casaco. Eu tinha sido atacada”, relembrou.

A revelação ocorreu em meio a uma conversa com John Hunt, cuja família foi vítima de um crime brutal em julho de 2024. A esposa dele, Carol, e as filhas Louise e Hannah foram mortas em casa, em Hertfordshire, pelo ex-namorado de Louise, Kyle Clifford, em um ataque com uma besta.

Camilla elogiou a força e a coragem da família Hunt ao lidar com o luto. “Histórias como a de vocês mexem profundamente comigo. É algo sobre o qual sinto muito fortemente”, disse a rainha. Em resposta, Amy Hunt agradeceu o depoimento: “Obrigada por compartilhar isso, Majestade. É preciso muita coragem, porque toda mulher carrega uma história”.

John Hunt afirmou que o sofrimento da família ainda é intenso. “É difícil a cada minuto. Você precisa encontrar forças para atravessar a próxima hora”, declarou.

Durante o programa, que teve edição especial comandada pela ex-primeira-ministra Theresa May, também foi discutida a radicalização online de jovens. Camilla defendeu educação e atenção especial aos meninos e adolescentes como forma de prevenir a violência.

“Muitos cresceram em ambientes abusivos e passam a achar que esse comportamento é normal. Se conseguirmos agir cedo e ensinar respeito pelas mulheres, isso precisa estar nas escolas. É, talvez, a coisa mais importante que possamos fazer agora”, afirmou.


A rainha Camilla atua há anos na defesa de vítimas de violência doméstica e abuso sexual. Ela já visitou centros de acolhimento a vítimas de estupro, promoveu encontros com sobreviventes e se posiciona publicamente sobre o tema no Reino Unido e no exterior.

Ao final da entrevista, Camilla deixou uma mensagem emocionada à família Hunt:

“Onde quer que sua família esteja agora, eles teriam um orgulho imenso de vocês. Estariam sorrindo lá de cima, pensando em que pai, marido e irmã maravilhosos vocês são”.

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