
Moradores do complexo Wang Fuk Court, em Hong Kong, foram informados de que a Prestige Construction & Engineering tinha “ficha limpa” em segurança antes de ser contratada para uma obra que, mais tarde, se tornaria alvo de investigação após um dos incêndios mais mortais da cidade.
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Porém, documentos obtidos pela agência Reuters mostram que a consultoria Will Power Architects garantiu aos proprietários que a empresa não tinha histórico de penalidades, o que foi desmentido por registros oficiais.
O desastre no complexo habitacional, no distrito de Tai Po, é o incêndio mais mortal em Hong Kong em mais de 75 anos, deixando pelo menos 146 mortos e dezenas de desaparecidos.
Segundo o Departamento do Trabalho do país, a Prestige havia sido multada mais de 15 vezes entre 2016 e 2019 por irregularidades como instalação inadequada de andaimes e falhas elétricas.
Mesmo assim, a consultoria recomendou a empresa, que acabou vencendo o contrato milionário para renovar o conjunto habitacional.
A obra logo gerou queixas: moradores reclamaram de trabalhadores fumando no local, materiais inflamáveis nas estruturas e custos que mais que dobraram em relação ao valor apresentado no processo de licitação. Alguns tentaram até derrubar a liderança da associação de moradores e revogar o contrato, mas encontraram resistência interna.
As tensões se agravaram após o incêndio de 26 de novembro, que já deixou ao menos 159 mortos e levou à abertura de investigações por homicídio e corrupção.
Autoridades afirmam que parte da malha usada nos andaimes não atendia às normas de segurança contra incêndio e que as placas de espuma instaladas nas janelas eram altamente inflamáveis.
A polícia prendeu responsáveis da Prestige e da Will Power, enquanto agências reguladoras admitem que chegaram a assegurar aos moradores que o material de proteção era seguro.