Tyler Robinson, em julgamento de custódia na Corte dos EUA
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Tyler Robinson, em julgamento de custódia na Corte dos EUA

Tyler Robinson, de 22 anos, preso e acusado de matar ativista Charlie Kirk, influenciador de direita pró-Trump, teria confessado o crime em uma mensagem deixada para uma colega de quarto, segundo a Promotoria estadual de Utah. A conversa foi obtida pelo canal BBC nesta terça-feira (16).

O jovem teria deixado um bilhete sob um teclado para que a colega encontrasse. O bilhete dizia: "Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou fazê-lo" . A promotoria também anunciou que  vai pedir a pena de morte contra Tyler.

Troca de mensagens

Mensagens obtidas pela promotoria, de Tyler confessando o crime
Reprodução/via BBC
Mensagens obtidas pela promotoria, de Tyler confessando o crime


Segundo a BBC, o promotor Jeff Gray apresentou uma troca de mensagens de texto em que  Tyler Robinson teria afirmado que atirou em Kirk porque "estava cansado do ódio dele".

O promotor explicou que a colega de quarto é um homem, biologicamente, que está em transição de gênero e tinha um relacionamento com Robinson, afirma a BBC. Pessoas transgênero são aquelas que não se identificam com o sexo atribuído no nascimento. Neste caso, trata-se de uma mulher transgênero.

Em uma das mensagens, Tyler teria confessado: "Fui eu, desculpa."

Acusado pelo assassinato

Preso desde quinta (11), Tyler Robinson, de 22 anos, foi identificado após um familiar do suspeito relatar que Robinson havia confessado ou insinuado o crime. Nesta terça, ele foi formalmente acusado pela morte do ativista conservador Charlie Kirk, de 31 anos, assassinado durante uma palestra no campus da Utah Valley University, em Orem.

Em entrevista coletiva na terça, o promotor descreveu o suposto bilhete deixado pelo acusado, afirmando que ele enviou uma mensagem de texto à colega de quarto com os dizeres: "Pare o que está fazendo, olhe embaixo do meu teclado".

Após ler a suposta confissão, a colega, que não teve o nome revelado e tem cooperado com as investigações, respondeu: "O quê? Você está brincando, certo?".

Leia a conversa traduzida na íntegra:

Tyler Robinson, jovem preso por matar Charlie Kirk
Reprodução/FBI
Tyler Robinson, jovem preso por matar Charlie Kirk


  • Robinson: "Pare o que está fazendo, olhe embaixo do meu teclado."
  • (Ao olhar sob o teclado de Robinson, um bilhete dizia: "Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitar isso.")
  • Colega de quarto: "O quê?????????????? Você está brincando, certo????"
  • Robinson: "Ainda estou bem, meu amor, mas ainda estou preso em Orem [cidade de Utah] por mais um tempo. Não devo demorar para voltar para casa, mas ainda preciso pegar meu rifle. Para ser sincero, esperava guardar esse segredo até morrer de velhice. Lamento por te envolver."
  • Colega: "Não foi você quem fez isso, foi????"
  • Robinson: "Fui eu, desculpa."
  • Colega: "Achei que eles tivessem pegado a pessoa."
  • Robinson: "Não, eles pegaram um velho maluco e interrogaram alguém com roupas parecidas. Eu tinha planejado pegar meu rifle no ponto que o deixei logo depois, mas grande parte daquele lado da cidade foi bloqueada. Ficou calmo, quase consigo sair, mas tem um veículo esperando."
  • Colega: "Por quê?"
  • Robinson: "Por que eu fiz isso?"
  • Colega: "Sim."
  • Robinson: "Estou cansado do ódio dele. Alguns ódios não podem ser negociados."
  • Robinson: "Se eu conseguir recuperar meu fuzil sem ser visto, não terei deixado evidência. Vou tentar recuperá-lo, espero que já tenham ido embora. Não vi nada que indique que o encontraram."
  • Colega: "Há quanto tempo você está planejando isso?
  • Robinson: "Acho que um pouco mais de uma semana. Posso chegar perto, mas tem uma viatura estacionada bem ao lado. Acho que já revistaram o lugar, mas não quero arriscar."
  • Robinson: "Queria ter voltado e pegado o rifle assim que cheguei ao veículo. Estou preocupado com o que meu pai faria se eu não devolvesse o rifle ao meu avô… Não sei se tinha número de série, mas não os levariam [policiais] até mim. Estou preocupado com as impressões digitais. Tive que deixá-lo em arbusto onde troquei de roupa. Não tive tempo nem a chance de levá-lo comigo. Talvez eu tenha que abandoná-lo e torcer para que não encontrem impressões digitais. Como diabos vou explicar ao meu pai que o perdi?
  • Robinson: A única coisa que deixei para trás foi o rifle enrolado em uma toalha..."
  • "Lembra que eu estava marcando as balas? As p***** das mensagens são praticamente um meme. Se eu vir 'notices bulge OwO what's this' na Fox News, vou ter um ataque cardíaco. Bom, vou ter que parar, é uma M****.. A julgar pelo dia de hoje, eu diria que a arma do vovô funciona muito bem, sei lá. Acho que era uma mira de US$ 2.000. [cerca de R$ 10.500]."
  • Robinson: "Apaga essa troca de mensagens".
  • Robinson: "Meu pai quer fotos do fuzil… ele disse que o vô quer saber quem está com o quê. Os federais divulgaram uma foto do fuzil, e ele é bem único. Ele tá me ligando agora. Não vou atender."

O assassinato

O ativista Charlie Kirk, de 31 anos, influenciador de extrema-direita, foi morto por um tiro no pescoço durante um evento ao ar livre na Utah Valley University, na última quarta (10).


Aliado próximo de Donald Trump, Kirk liderava o grupo conservador Turning Point USA, voltado a atividades e eventos em centros educacionais. Nas redes sociais, reunia mais de 14 milhões de seguidores.

Segundo as investigações, Robinson chegou ao campus por volta das 8h29 em um Dodge Challenger cinza e permaneceu no local até a execução do disparo. Evidências colhidas incluem DNA nas palmas das mãos, deixadas quando ele pulou do telhado, além de munições encontradas em um rifle vinculado ao suspeito. Câmeras de vigilância registraram sua fuga correndo pelo campus.

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