Imagem de massacre em Bucha, na Ucrânia
Reprodução/Twitter - 03.04.2022
Imagem de massacre em Bucha, na Ucrânia

Desde o final de semana, Bucha , uma pequena cidade localizada nos arredores de Kiev, está no centro das atenções do mundo, apontada como o cenário de um possível crime de guerra: o assassinato indiscriminado de civis, com evidências de execuções sumárias e torturas . Governos como o da Ucrânia, dos EUA e da União Europeia acusam a Rússia de um massacre, algo que Moscou nega com veemência.

Bucha, por si só, não tem importância militar, mas sua conquista pelo Exército russo fazia parte da estratégia inicial de Moscou, agora abandonada, de dominar Kiev logo nos primeiros dias da guerra. Ali, a ofensiva começou no dia 27 de fevereiro, e os invasores enfrentaram uma dura resistência, incluindo da população civil.

Os bombardeios destruíram a maior parte da então pacata cidade onde, no começo do século XX, o escritor Mikhail Bulgakov (autor de "O Mestre e a Margarida", dentre outros) passou alguns verões com sua família.

As forças russas assumiram o controle de Bucha por volta do dia 13 de março, mas a resistência civil e militar não cessou, assim como na vizinha Irpin, onde também há denúncias de graves violações cometidas contra a população.

Naquele momento, os movimentos das tropas sugeriam que a ofensiva contra a capital, então sob fortes ataques aéreos, era iminente, e que ela usaria as cidades ao seu redor, como Bucha, como ponto de partida. Daí a necessidade de consolidar o controle da área.

No dia 25 de março, a Rússia sinalizou uma mudança de estratégia: deu por concluída a "primeira fase" da guerra e anunciou que concentraria esforços em "libertar" as regiões do Leste da Ucrânia, em parte controladas por separatistas pró-Moscou.Segundo disse então o Ministério da Defesa em Moscou, os combates em torno de Kiev tinham apenas o objetivo de "reter" as forças ucranianas.

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Muitos analistas consideraram que essa mudança não estava prevista nos planos iniciais russos e a atribuíram à resistência encontrada na região da capital.

No dia 29 de março, em meio a negociações diretas com os ucranianos, a Rússia finalmente anunciou uma redução drástica de suas operações em Kiev, o que levou à retirada das suas forças de cidades como Bucha — pela versão russa, os ataques contra civis ocorreram depois deste momento, e foram realizados por "milícias nacionalistas".

Tais alegações foram refutadas pelas autoridades ucranianas, governos ocidentais e imagens de satélite, que mostraram corpos aparentemente de civis abandonados nas ruas durante a ocupação. Os testemunhos da população também relatam mortes arbitrárias e brutais.

"Estes são crimes de guerra e serão reconhecidos pelo mundo como genocídio", disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em visita à cidade, na segunda-feira. "Sabemos de milhares de pessoas mortas e torturadas, com membros decepados, mulheres estupradas e crianças assassinadas".

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