Tropas russas
Reprodução - 23.02.2022
Tropas russas

A Ucrânia afirmou neste sábado que as forças russas estão "se retirando rapidamente" da região de Kiev, no Norte do país, enquanto no Sudeste a Cruz Vermelha se prepara novamente para tentar retirar civis da cidade sitiada de Mariupol , no litoral do Mar de Azov.

Na semana passada, a Rússia anunciou que reduziria os ataques a Kiev e à cidade de Chernihiv, no Norte, para "facilitar as negociações" de cessar-fogo. Antes, Moscou havia afirmado que a "primeira fase" de sua operação militar estava concluída e que se concentraria em "libertar" as regiões separatistas pró-Moscou na região de Donbass, no Leste do país.

Neste sábado, o conselheiro presidencial ucraniano, Mikhailo Podoliak, confirmou que se observa uma "retirada rápida" dos russos do Norte. O governador da região de Chernihiv, Viacheslav Chaus, também confirmou que a cidade, devastada pelos combates nas últimas semanas, não sofreu novos ataques entre sexta a sábado à noite.

"Com a rápida retirada dos russos de Kiev e Chernihiv está bastante claro que a Rússia escolheu outra tática prioritária: retirar-se para o Leste e para o Sul, manter o controle de vastos territórios ocupados e ganhar uma base poderosa lá", escreveu Podoliak no Telegram.

Ao que tudo indica, de fato a Rússia redirecionou suas forças da região ao redor de Kiev para o Leste da Ucrânia. Neste sábado, o governador da região de Luhansk, que é em grande parte controlada pelas forças separatistas pró-Moscou, disse que houve intensos combates durante a noite na cidade de Lysychansk e na cidade vizinha de Toshkivka, que deixaram 31 prédios danificados ou destruídos, a maioria residenciais.

Além de recuperar o controle da área em torno de Kiev, as tropas ucranianas avançavam em Kherson, no Sul, a única grande cidade que a Rússia conseguiu ocupar.

A situação é diferente no porto estratégico de Mariupol, no Mar de Azov, que está sitiado e onde as condições humanitárias são catastróficas. A cidade portuária é estratégica para Moscou: tomá-la significa estabelecer um corredor terrestre entre a região de Donbass e a Península da Crimeia, no Mar Negro, anexada pelos russos em 2014.

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Mariupol vem sendo alvo de constantes bombardeios russos, que deixaram pelo menos 5 mil civis mortos, de acordo com as autoridades locais. Outras 160 mil pessoas que permanecem na cidade sofrem com a escassez de alimentos, água e eletricidade. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou que lançaria outro esforço de retirada de moradores neste sábado, depois que uma segunda tentativa falhou na sexta-feira.

Em mensagem de vídeo, na manhã deste sábado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter conseguido resgatar 3.071 moradores da cidade na sexta.  Dezenas de ônibus transportando moradores chegaram a Zaporíjia, a 220 quilômetros de distância, na sexta-feira, segundo um jornalista da AFP no local.

"Choramos quando chegamos a esta área. Choramos quando vimos os soldados no posto de controle com emblemas ucranianos em seus braços" disse Olena, que carregava sua filhinha nos braços. "Minha casa foi destruída, eu vi em fotos. Nossa cidade não existe mais."

O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, o britânico Martin Griffiths, estará em Moscou no domingo para obter um "cessar-fogo humanitário" na Ucrânia. Segundo a ONU, mais de 4 milhões de refugiados fugiram do país desde a invasão russa, em 24 de fevereiro.

Enquanto isso, os EUA anunciaram, na noite de sexta-feira, uma novo pacote de ajuda militar de US$ 300 milhões à Ucrânia. Segundo o Departamento de Defesa, o novo pacote será destinado para "assistência de segurança". A ajuda, somada ao US$ 1,6 bilhão já prometidos por Washington, inclui sistemas de foguetes guiados a laser, drones, munição, dispositivos de visão noturna, sistemas táticos de comunicação segura, suprimentos médicos e peças de reposição.

"Esta decisão ressalta o compromisso inabalável dos Estados Unidos com a soberania e integridade territorial da Ucrânia em apoio aos seus esforços heroicos para repelir a guerra da Rússia", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, em comunicado.


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