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Ao jornal argentino 'Clarín', Bolsonaro reforçou apoio à reeleição de Macri e falou sobre temor de Argentina 'seguir a linha da Venezuela'; opositor de Macri, Alberto Fernández visitou Lula na prisão no começo deste mês

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Carolina Antunes/PR
Bolsonaro justifica apoio à reeleição de Macri com medo de que Argentina "se torne Venezuela"

Às vésperas de uma nova viagem para a Argentina, para compromissos do Mercosul, o presidente Jair Bolsonarodeclarou ao jornal argentino "Clarín" que espera que o país vizinho "reflita muito sobre essa visita de seu candidato a Lula". Apoiado pela ex-presidente Cristina Kirchner, Alberto Fernández visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em  Curitiba, no começo de julho. Na ocasião, ele criticou a prisão do líder petista, afirmando tratar-se de uma "mácula ao Estado de Direito". E prometeu se manter ao lado do brasileiro, que cumpre pena de oito anos e dez meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

"O candidato de Cristina Kirchner não conhece a realidade brasileira. Aqui confiamos em nossas instituições. Lula foi condenado em três instâncias. Espero que a Argentina reflita muito sobre essa visita de seu candidato a Lula ", declarou o presidente ao jornal.

Bolsonaro também comentou reforçou apoio à reeleição de Mauricio Macri . "O candidato de Cristina Kirchner disse que revisaria (o acordo) Mercosul-União Europeia. Isso vai trazer problemas econômicos para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Estamos focados na economia. Um governo com a economia fraca não se sustenta", disse.

"Eu não quero que a Argentina siga a linha da Venezuela. Por isso que apoio a reeleição de Macri. Na verdade, apoio apenas que Cristina Kirchner não volte ao poder, tendo consciência de que não vou interferir politicamene em outro país", completou Bolsonaro .

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Sempre associar Kirchner a Venezuela

Como revelou o jornal O Globo , em uma reunião entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e um alto funcionário do governo da Argentina em maio, o filho do presidente, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara e atua como representante informal do governo no exterior, conversou com um alto funcionário sobre o cenário eleitoral argentino e perguntou como o Brasil poderia colaborar com a campanha pela reeleição do presidente Macri

Segundo contou outra alta fonte argentina, a resposta do funcionário de Macri foi taxativa: “Relacionem, sempre que possível, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015) com a Venezuela”.

Isso foi exatamente o que fez o presidente brasileiro em suaprimeira visita de Estado à Argentina. E o pedido feito pelo funcionário argentino ao deputado Bolsonaro inspirou um dos pontos escritos pelo filho do presidente nos papéis que trouxe a Buenos Aires como uma espécie de roteiro da visita de Estado de seu pai.

Uma de suas anotações dizia “que Brasil e Argentina não virem novas Venezuelas ”. No caso da Argentina, isso significa, em outras palavras, pedir aos argentinos que não votem pelo retorno de Cristina ao poder.

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Embora a senadora tenha decidido ser candidata à vice, deixando a candidatura presidencial nas mãos de seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, a eleição já está polarizada entre Macri e sua antecessora, aliada de Lula .

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