
Nos anos 1950, Portugal sofria com erosão severa, o campo se esvaziava e a ditadura de António Salazar buscava uma indústria florestal lucrativa. Os portugueses precisavam de uma alternativa que crescesse rápido, firmasse o solo degradado e alimentasse a fabricação de papel. Foi assim que o eucalipto, árvore trazida da Austrália, foi introduzido no país. O lado negativo da decisão, porém, só apareceria décadas depois.

A maior mudança aconteceu no desenho do território português, não nas espécies em si. Foram plantadas faixas contínuas de pinheiro e eucalipto, que ocuparam áreas antes divididas entre lavoura, pasto e mata variada. A decisão rendeu mais dinheiro, mas as barreiras que dificultavam o avanço das chamas sumiram.

O eucalipto não causa incêndios, mas muda consideravelmente o comportamento do fogo depois que começa. Os óleos essenciais da árvore ardem com facilidade e, sob calor forte, queimam de forma intensa. O carvalho e o sobreiro, plantas nativa s de Portugal, faziam o oposto e seguravam a propagação das chamas.

A conta chegou setenta anos depois. Em julho deste ano, um incêndio na vila de Vouzela devorou 15 mil hectares em quatro dias, mobilizando mais de mil bombeiros para controlar o fogo.

Segundo especialistas, a solução passa pela diversificação da paisagem e pela quebra da continuidade da vegetação como saída prática. Os profissionais defendem um programa governamental de redistribuição do plantio, não apenas um combate às chamas no verão, como acontece nos dias atuais.