
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou que, se eleito, não vai tentar reverter a proposta aprovada no Senado que colocou fim à escala 6x1, defendeu corte de gastos e mandato único. A declaração foi dada em entrevista à TV Globo, conduzida por Renata Lo Prete.
Na sabatina desta sexta-feira, o candidato do PL afirmou também que, se eleito, não vai dar cargo ao irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e teve mandado de prisão expedido após ser condenado por coação ao processo. Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, ele disse que não está no radar oferecer um cargo público ao pai, mas não descartou a possibilidade.
Flávio Bolsonaro disse ainda que, independentemente do resultado do segundo turno das eleições, vai respeitar as urnas.
Confira os temas abordados e o que pensa Flávio Bolsonaro.
Juros e ajuste fiscal
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação e descartou desvincular as aposentadorias do piso salarial ou alterar os gastos mínimos constitucionais com saúde e educação. Segundo ele, há “muita fake news” sobre suas propostas econômicas.
Flávio atribuiu a alta dos juros ao atual governo e disse que a taxa passou de uma previsão de 7% para 14%. Segundo seus cálculos, a diferença poderia representar quase R$ 1 trilhão a mais em juros da dívida pública ao longo de quatro anos. Ele defendeu que o governo busque economia em outras áreas, especialmente no combate à corrupção, "sem penalizar os mais pobres"
Escala 6x1 e mudança de voto no Senado
Sobre a escala 6x1, Flávio afirmou que sempre defendeu maior liberdade para os trabalhadores organizarem suas jornadas, mas reconheceu que mudou de posição após percorrer o país e ouvir a população.
Eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, declarou, ao defender o fim do modelo Flávio Bolsonaro
Flávio voltou a defender a flexibilidade de horários para que, segundo ele, mães solo possam trabalhar em horários compatíveis com os cuidados dos filhos.
E prometeu ampliar o acesso a creches por meio de vouchers para famílias sem vagas na rede pública. Flávio disse que a mudança não deve se limitar à folga adicional e prometeu recuperar o poder de compra dos brasileiros e melhorar a segurança pública.
Fim da reeleição para presidente
Flávio Bolsonaro afirmou que abriria mão de disputar um segundo mandato caso o Congresso não aprove uma proposta para acabar com a reeleição presidencial. Segundo ele, a ideia de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) partiu dele próprio.
Eu só preciso de um mandato. Eu quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade Flávio Bolsonaro
O senador defendeu que a medida também alcance parentes até o terceiro grau e disse que, em sua avaliação, deveria valer para governadores e prefeitos, embora sua proposta inicial se restrinja à Presidência da República.
Reforma do Judiciário
O candidato do PL defendeu uma reforma do Judiciário para reduzir privilégios e despesas dos três Poderes, que, segundo ele, somariam R$ 24 bilhões por ano.
Entre as propostas previstas em seu plano de governo estão limitar decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar da Corte o julgamento de processos criminais contra parlamentares e restringir a atuação de familiares de ministros em causas no tribunal.
O senador também criticou o ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de perseguir adversários políticos e interferir em diferentes assuntos, e defendeu medidas para recuperar a credibilidade do Judiciário.
Questionado sobre o ministro Nunes Marques, indicado por seu pai, Jair Bolsonaro, e citado em mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, Flávio afirmou que ele também deve ser investigado. “A lei tem que valer para todo mundo”, declarou.
Relação com Vorcaro e financiamento do filme Dark Horse
Flávio Bolsonaro negou, mais uma vez, irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, e afirmou que os recursos foram destinados a um fundo responsável pela gestão do longa, e não diretamente à produtora brasileira.
Questionado sobre os quase R$ 70 milhões que teriam sido liberados de um total de R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o senador disse que a produtora prestou contas dos gastos e que todas as despesas tinham autorização do fundo.
Eu tô falando de um pedido de um patrocínio privado pra um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República Flávio Bolsonaro
Disse ainda que conversou com outros possíveis investidores, mas Vorcaro aceitou financiar o projeto. Segundo o senador, na época da negociação, o empresário não tinha problemas conhecidos. Ele também elogiou a produção, que classificou como uma homenagem ao pai.
Ações de Bolsonaro para defender o filho
Flávio Bolsonaro negou que seu pai, Jair Bolsonaro, tenha interferido na Polícia Federal para protegê-lo de investigações, ao ser questionado sobre a troca do comando da corporação no Rio de Janeiro e a demissão do então ministro da Justiça Sergio Moro, em 2020.
O senador afirmou que a mudança na superintendência ocorreu porque o presidente buscava resultados melhores no estado.
Ele também lembrou que Sergio Moro, que deixou o Ministério da Justiça após o conflito com Bolsonaro, hoje é aliado político e foi eleito senador pelo Paraná.
Anistia e cargos no governo para Jair e Eduardo Bolsonaro
Flávio Bolsonaro afirmou que seu pai, Jair Bolsonaro, nunca manifestou interesse em integrar a administração; quje não está no radar.
“O meu pai vai ser o povo brasileiro. É para você que eu vou trabalhar”, declarou. O senador afirmou que tem o privilégio de poder consultar o pai, a quem chamou de ex-presidente da República, mas ressaltou que nunca conversaram sobre ocupar cargos no governo.
Sobre o irmão Eduardo Bolsonaro, Flávio descartou sua nomeação para o Ministério das Relações Exteriores. O senador defendeu a atuação do deputado federal licenciado no exterior e o classificou como “perseguido político” por denunciar, segundo ele, arbitrariedades no Brasil. Flávio disse acreditar que a história reconhecerá Eduardo como alguém que se sacrificou pela democracia. Flávio elogiou ainda a rede de contatos internacionais construída pelo irmão com lideranças conservadoras ao longo de mais de dez anos.
Relação com as Forças Armadas
Flávio Bolsonaro classificou como uma “farsa” os acontecimentos relacionados à transição de governo em 2022 e aos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, os episódios teriam sido articulados para retirar Jair Bolsonaro da vida pública.
O senador também declarou que pretende ampliar a participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado caso seja eleito presidente. Entre as primeiras medidas, prometeu reunir os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além de chefes das polícias estaduais, para coordenar ações de segurança e reforçar a proteção das fronteiras brasileiras.
O senador também prometeu classificar o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as milícias como organizações narcoterroristas.
Armamento e segurança pública
Flávio Bolsonaro defendeu o direito de cidadãos que cumprem os requisitos legais de possuir armas para proteger suas famílias e propriedades.
Flávio também criticou a fiscalização das fronteiras brasileiras, atribuindo ao atual governo a entrada de armas e drogas no país.
Questionado sobre a proposta de eliminar a marcação de cápsulas de munição, não apresentou uma explicação específica de como a medida ajudaria no combate ao crime organizado. Em vez disso, defendeu o endurecimento das penas e afirmou ter apoiado o projeto de lei de combate às facções criminosas.
Rio de Janeiro e prisões de aliados
Flávio Bolsonaro afirmou ter ficado surpreso com as prisões de políticos aliados, entre eles o ex-prefeito de Belfort Roxo, Márcio Canella (União) e Rodrigo Bacellar (União), ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), presos sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho, além do ex-governador Cláudio Castro, declarado inelegível e envolvido em questões relacionadas ao Banco Master.
Ele disse que “não tem que passar a mão na cabeça de ninguém”, disse. Flávio acrescentou que, caso alguém seja comprovadamente ligado a organizações criminosas, deverá responder à Justiça.
Saúde e Cláudio Lottenberg como ministro
Flávio Bolsonaro confirmou que Cláudio Lottenberg teria autonomia para tomar decisões em situações de emergência sanitária caso assumisse o Ministério da Saúde em seu eventual governo.
O senador afirmou que esse foi um dos pontos discutidos durante o convite ao médico, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Flávio disse que pretende levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) práticas e tecnologias disponíveis em hospitais privados de referência.
Ao encerrar a sabatina na TV Globo, Flávio Bolsonaro agradeceu aos apoiadores pela recepção durante a campanha e apresentou três compromissos: não prometer o que não poderá entregar, recuperar a economia e o poder de compra dos brasileiros e reforçar a segurança pública.