
O tema da redação do Vestibular da Fuvest 2026 é "O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado". Pela primeira vez, os candidatos puderam escolher entre duas propostas de redação: uma dissertativa-argumentativa ou uma carta destinada a uma personagem hipotética que tivesse acusado o autor do texto de alguma ação reprovável, explicando as razões pelas quais concederia ou não o perdão.
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Os vestibulandos tiveram acesso a seis textos de apoio:
- "Súplica de oficial nazista provoca reflexão sobre limites do perdão", de Juliana de Albuquerque;
- "Tudo é Rio", de Carla Madeira;
- a poesia Mar Novo, de Sophia de Mello Breyner Andresen;
- a foto "Cessar-fogo em Gaza permite o regresso à casa”, de Abdel Kareem Hana/AP;
- a música “Tá Perdoado”, de Arlindo Cruz;
- e um trecho do livro Iaiá Garcia, de Machado de Assis.
"Em relação ao tema 'o perdão condicionado ou limitado', é um tema que se encaixa bastante no perfil da Fuvest por levar uma reflexão mais crítica, por não haver uma solução pronta, uma resposta pronta necessariamente. Pode haver tanto a defesa de um ponto quanto de outro, ou até mesmo reflexões em situações em que o perdão poderia ser condicionado, ou situações em que caberiam perdão limitado" , apontou a analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, Amanda Rodrigues.
"Também seria interessante, por exemplo, considerar quais seriam as consequências do ato de perdoar ou da falta de perdão nas relações individuais, também nas relações sociais. Então é um tema bastante interessante que pode dar abertura para uma argumentação mais abstrata, porque o tema é mais abstrato, sim" , completou.
De acordo com a analista pedagógica, o tema escolhido para a redação da Fuvest 2026, apresenta uma certa similaridade com o tema que foi apontado no simulado aplicado no meio deste ano, já que ambos abordaram relações interpessoais.
"Também, isso depende da coletânea, mas alguns fatores que podem ter a ver também com essa situação de perdão são situações mais graves de casos de violência, de injustiça social, também cancelamento que ocorre nas redes sociais, conflitos internacionais e as questões de guerra e paz, também relações familiares, situações como a lei da anistia no Brasil", pontuou a analista pedagógica.
"Então, tem alguns fatores que podem ser aproveitados nessa relação do perdão condicionado ou ilimitado, mas o mais importante para saber qual recorte analisar é ler os textos de apoio com atenção que costumam historicamente fornecer possibilidades de o candidato pensar, refletir, se preparar e a partir desses textos de apoio coletar pistas sobre como é possível desenvolver argumentação", recomendou.
A analista ressaltou que esta foi a primeira vez que o exame ofertou duas opções de gênero textual, e que por esta razão, é possível que boa parte dos vestibulandos tenha optado por escrever a dissertação, por ser um gênero com o qual eles costumam ter mais contato.
"É interessante observar que essa mudança da Fuvest se aproxima da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), porque, em tese, todos os alunos devem estar trabalhando na educação básica, gêneros variados, em situações comunicacionais variadas", disse a profissional da educação.
Segundo Amanda Rodrigues, no programa do vestibular publicado no fim de 2024, já havia essa previsão de que poderia haver mais de um texto que não fosse dissertativo. Posteriormente, a banca esclareceu que necessariamente um seria dissertativo e outro seria narrativo. Nesse caso, a carta precisaria ser narrativa.
"Mas é interessante observar que pode haver essa tendência no futuro de uma redação um pouco mais próxima, por exemplo, da Unicamp, com comandos mais desenvolvidos, situações comunicacionais mais desenvolvidas, mas por enquanto o que nós temos é isso. Então a necessidade seria de narrar um evento na carta conforme o comando e dissertar sobre essa situação do perdão", finalizou a analista pedagógica.
Como foi a prova de Língua Portuguesa
Além da redação, os candidatos responderam 10 questões discursivas de Português que abordaram gramática, literatura baseada na lista de leituras obrigatórias do processo seletivo e interpretação de texto.
Uma das questões do exame tratou do conceito de artistismo a partir da fotografia “Serra Pelada”, de Sebastião Salgado, que compõe a lista de 25 imagens que definem a modernidade desde 1955, elaborada pelo jornal The New York Times.
Confira outros temas abordados no exame:
- a crise climática, explorada a partir de uma charge do cartunista Jean Galvão;
- reflexões sobre a forma como as pessoas vêm se transformando em uma “nuvem de dados” na sociedade contemporânea, com base no artigo do jornalista e professor Marcelo Soares.
Quais obras literárias foram cobradas?
Da lista de obras literárias obrigatórias do vestibular, fizeram parte do exame:
- As meninas, de Lygia Fagundes Telles;
- A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida;
- Memórias de Martha, de Julia Lopes de Almeida;
- Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta;
- Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo.
A obra Nebulosas, de Narcisa Amália, também foi explorada na prova, em comparação com a obra Cosmos, de Carl Sagan.
Sobre o vestibular
Neste ano, a Universidade de São Paulo (USP) oferece 8.147 vagas em diferentes cursos de graduação da instituição. Segundo a organização do vestibular, cerca de 5,94% dos candidatos aprovados na primeira fase não compareceram aos locais de prova nesta fase do processo seletivo.
As provas do segundo dia da 2ª fase do processo seletivo serão aplicadas nesta segunda-feira (14), em 36 escolas de 22 cidades da Região Metropolitana, litoral, capital e interior de São Paulo.