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Com empresários ambiciosos e cada vez mais sonhadores, busca por novas fronteiras no espaço ganha força e pode levar humanidade a novo patamar

Corrida espacial
Montagem/Reprodução
Nova "corrida espacial" é comandada pela iniciativa privada e por empresários sonhadores

A primeira "corrida espacial" aconteceu na segunda metade do século 20, quando Estados Unidos e União Soviética brigaram pela supremacia na exploração do espaço sideral. Àquela época, célebres espaçonaves surgiram, como a Sputnik e a Apollo 11, que realizou o primeiro pouso em solo lunar, e tantas outras.

Desde então, muitas expedições foram realizadas, aumentando ainda mais as fronteiras conhecidas pelos seres humanos no universo. Norte-americanos e russos passaram a ter a companhia de chineses, europeus, japoneses e outros povos que começavam a olhar o espaço como uma nova forma de investimento e fortaleciam a corrida espacial mais e mais.

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Mesmo com a concorrência, a NASA , agência espacial dos Estados Unidos , sempre se manteve na liderança da corrida. Com grande aporte financeiro, governo após governo, a empresa seguia trabalhando para recolocar o homem na lua e, quem sabe, colonizar outros planetas em um futuro não tão distante.

Porém, tudo isso mudou quando Barack Obama assumiu a Casa Branca. Ao longo dos seus oito anos de mandato, o ex-presidente diminuiu consideravelmente o orçamento da agência, o que colocou um freio no desenvolvimento espacial norte-americano e causou críticas dentro do país.

Foi exatamente neste vácuo que surgiram os atuais concorrentes dessa disputa: as empresas privadas. Sob o comando de milionários de todo o planeta, como Jeff Bezos , CEO da Amazon, Elon Musk , CEO da Tesla , e Richard Branson , fundador do grupo Virgin , elas começam a criar seus próprios projetos intergalácticos e prometem alcançar o que os governos não conseguiram.

E, diferentemente do que aconteceu no século passado, os objetivos dos novos sonhadores são distintos e até coexistem, fortalecendo as ambições de todo o grupo. Um bom exemplo é o fato de que cada um dos projetos tem um destino final, como a lua, marte ou apenas um passeio na órbita, e foca no barateamento dos custos das viagens.

A nova “corrida espacial”

Blue Origin – Jeff Bezos (Amazon)

Blue Moon
Reprodução/Twitter
Jeff Bezos, CEO da Amazon, apresentou sua cápsula lunar

Fundada em setembro de 2000, a companhia do CEO da Amazon foi criada para desenvolver tecnologia que possibilite o acesso de pessoas ao espaço sideral e diminuir os custos de aeronaves e viagens.

Apesar de ter sido a primeira a nascer, a empresa acabou sendo a última a divulgar seus planos para o espaço. Foi só no último dia 09 de maio que Bezos apresentou ao mundo o Blue Moon , módulo lunar que deve fazer sua primeira viagem tripulada apenas em 2024.

SpaceX – Elon Musk (Tesla)

SpaceX
SpaceX
SpaceX, do CEO da Tesla Elon Musk

Fundada em 2002, a SpaceX foi construída pensando em diminuir os custos do transporte espacial e permitir a colonização de Marte . O objetivo do CEO Elon Musk era oferecer uma maneira mais barata de realizar viagens para a órbita da Terra, onde ficam localizados os satélites e as estações espaciais.

Além disso, o grande sonho de seu fundador é visitar o planeta vermelho. Para isso, ele planeja construir uma base no local, chamada Mars Base Alpha , projeto que é planejado para estar pronto no ano de 2028.

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Atualmente, os  esforços de Musk estão concentrados em um objetivo específico: preparar o foguete BFR para dar uma volta ao redor da lua com Yusaku Maezawa, um bilionário japonês que é colecionador de artes e foi listado como 14º mais rico do Japão em 2017, e seus convidados, no que pode entrar para a história como a primeira viagem turística para o espaço.

Virgin Galactic – Richard Branson (Grupo Virgin)

Richard Branson
Reprodução
Sob o comando de Richard Branson, a Virgin Galactic sonha baratear os custos de viagens espaciais

Dois anos depois do surgimento da SpaceX, foi a vez do empresário britânico dar seus primeiros passos em direção ao espaço. Fundada em 2005, a Virgin Galactic saiu do papel com um simples e claro objetivo: baratear os custos de viagens orbitais, possibilitando assim novos passeios turísticos para os terráqueos com os bolsos cheios.

Planejada para 2009, a primeira viagem da empresa, a bordo do VSS Unity , aconteceu apenas em dezembro de 2018. Foram muitos os contratempos enfrentados pela equipe de Branson, que, inclusive chegou a perder uma de suas espaçonaves em um acidente.

No último dia 22 de fevereiro, a empresa realizou uma segunda viagem orbital, que foi considerada um sucesso. A bordo, estavam o piloto, o copiloto e uma passageira: Beth Moses, instrutora-chefe de astronautas comerciais da companhia, a primeira mulher a realizar uma viagem ao espaço em uma espaçonave privada.

Agora, a expectativa da Virgin Galactic é realizar a primeira viagem turística, com um grupo maior de pessoas a bordo, ainda em 2019. De acordo com Branson, cada passageiro deverá desembolsar cerca de 250 mil dólares para participar da viagem e centenas de tíquetes já foram vendidos.

Breakthrough Iniciative – Mark Zuckerberg (Facebook) e Yuri Milner (DST Global)

Mark Zuckerberg
Reprodução/Facebook
Mark Zuckerberg é um dos CEOs da Breakthrough Iniciative

Em 2015, o CEO do Facebook se juntou a outras mentes brilhantes desta geração para criar uma empresa que buscasse vida extraterrestre. Assim, nasceu a Breakthrough Iniciative, que teve um investimento inicial de 100 milhões de dólares e trabalha para encontrar evidências de vida inteligente fora da Terra.

Diferentemente das outras empresas, a Breakthrough está focada em buscar conhecimento científico e não deve envolver seres humanos em suas viagens. A ideia é realizar visitas a outras constelações e aperfeiçoar o conceito de viagem interestelar, possibilitando que, um dia, as pessoas também possam realizar este tipo de “passeio nas estrelas”.

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A primeira nave foi lançada ainda em 2017 e tem como objetivo alcançar o sistema conhecido como Alpha Centauri, que se encontra a 4,37 anos-luz de distância da Terra. A expectativa da empresa é que a viagem seja concluída em 20 ou 30 anos, uma vez que viaja a cerca de 20% da velocidade da luz.

iSpace – Suzuki, Japan Airlines e Konika Minolta

iSpace
Reprodução
Empresa japonesa pretende lançar sua primeira espaçonave ainda em 2020

Comandada pelo CEO e fundador Takeshi Hakamada, a iSpace é uma startup japonesa de 2010. Contando com um aporte financeiro de cerca de 90 milhões de dólares, doados por empresas como a Suzuki, a Japan Airlines, o Development Bank of Japan, a Konika Minolta e a emissora de TV Tokyo Broadcasting System, a companhia trabalha para lançar seu primeiro módulo lunar em 2020.

Criada inicialmente para participar do torneio do Google chamado “Lunar Xprize”, que dará 20 milhões de dólares para quem for capaz de pousar e dirigir uma espaçonave na lua, a empresa tem objetivos ainda maiores.

Assim como os outros investidores, Hakamada sonha em desenvolver maneiras mais baratas de realizar viagens interplanetárias. Obviamente, o objetivo de pousar na lua e conquistar o prêmio seguirá vivo, mas é encarado apenas como uma etapa do verdadeiro desejo de seu fundador.

i-Space – Baidu

i-Space
Reprodução
Fortalecida pelo governo chinês, empresa pretende lançar três foguetes ainda em 2019

Em 2015, o presidente chinês Xi Jinping questionou o mercado interno sobre a possibilidade de desenvolver uma legislação para a indústria espacial. Com isso, incentivou o surgimento de diversas empresas privadas no ramo, como a OneSpace e a Landspace . Apesar de comandadas pela iniciativa privada, elas recebem dinheiro do governo para que consigam transformar a China em uma potência no assunto .

Com pouco menos de cinco anos de vida, as equipes das duas empresas já realizam suas primeiras viagens espaciais. Em outubro do ano passado, a Landspace foi a responsável pela primeira tentativa, mas um problema na terceira fase do foguete fez com que ele caísse no mar da Índia. Na sequência, foi a vez da OneSpace ter problema com sua aeronave em março deste ano.

Porém, a principal esperança dos chineses reside nos ombros da i-Space , comandada por um grupo de acionistas de diversas companhias, como a gigante Baidu . Com um aporte financeiro de 100 milhões de dólares, a empresa é a que está mais próxima de conseguir realizar um voo com sucesso para a órbita da Terra.

O atual projeto deve ser colocado em prática até julho deste ano, quando a i-Space promete mandar sua primeira aeronave para a órbita da Terra , onde será instalado um satélite da empresa. Ao todo, serão três veículos até o final do ano, mas não há indicações de que seres humanos sejam transportados em um primeiro momento.

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