Ciclone
Reprodução/ Pixabay
Ciclone

O  ciclone extratropical  formado no sul da América do Sul já influencia as condições de tempo em diferentes regiões do Brasil . O fenômeno meteorológico, comum nessa época do ano, chama a atenção por seus efeitos: ventos fortes, chuvas intensas, queda de temperatura e risco de ressaca no litoral. 

Entretanto, a expectativa dessa vez é de que os efeitos sejam sentidos de forma limitada no Sul do país, sem a mesma intensidade registrada em outros episódios recentes.

Em entrevista ao Portal iG, Lucas Oliver, doutorando em Geografia na área de Climatologia pelo Instituto de Geociências da UFMG e professor da rede pública em Belo Horizonte, explica que há uma boa notícia em meio ao alerta.

Isso porque, o ciclone que está atuando atualmente não deve causar impactos tão significativos no Brasil, já que seu deslocamento ocorreu para áreas mais ao sul, reduzindo assim os efeitos diretos sobre o território brasileiro.

Como se formam os ciclones extratropicais?

Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica responsáveis pela formação de nuvens e chuvas. Esse tipo de fenômeno é comum nas áreas que abrangem o Sul do Paraguai, Norte da Argentina, Uruguai e a região Sul do Brasil.

O especialista detalha o processo:  “Eles se formam quando massas de ar frio vindas da Antártida encontram massas de ar quente que estão no centro do Brasil. Esse contraste gera instabilidade na atmosfera, faz o ar subir e leva à condensação do vapor d’água, produzindo nuvens e precipitações.''

Esse encontro de massas costuma ocorrer entre o fim do outono e a primavera, com maior frequência entre junho e setembro .



Quais os impactos mais comuns?

No Brasil, os ciclones extratropicais afetam especialmente a Região Sul, mas também alcançam o Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Entre os principais efeitos estão alagamentos em áreas urbanas, deslizamentos de terra em encostas, interrupções no fornecimento de energia elétrica, suspensão de transportes e transtornos na navegação marítima.

Além disso, a queda acentuada de temperatura pode representar a mais risco para populações em situação de vulnerabilidade.

Riscos para a população

Apesar de não atingir o Brasil em larga escala desta vez, o ciclone pode provocar ressacas e agitação marítima no litoral do Sul, além de ventos que vão de moderados a intensos. 

Os principais riscos relacionados a esses sistemas, no entanto, estão ligados ao excesso de chuvas, que pode causar alagamentos e deslizamentos de terra em áreas já fragilizadas por precipitações anteriores.

“A ventania pode causar prejuízos, mas o grande problema em geral são as chuvas concentradas em algumas regiões” , alerta Oliver.

Ele reforça que os eventos não são raros e que a tendência para os próximos anos, diante das mudanças climáticas , é que os ciclones se tornem mais intensos:

“Nos próximos anos, com o aquecimento global, o que se espera é uma intensificação desses fenômenos, e não necessariamente um aumento da frequência, porque eles já são bem frequentes” , afirma.

Previsão e prevenção

Segundo o climatólogo, há condições favoráveis para prever a formação desses sistemas com alguns dias de antecedência, o que dá tempo para as autoridades se prepararem .

“Quando sabemos que uma massa de ar frio vai encontrar uma massa de ar quente, há grandes chances de formação de um ciclone. Esse tempo é fundamental para que a  Defesa Civil emita alertas e oriente a população” , diz.

Oliver destaca ainda a importância da comunicação clara com os moradores das áreas de risco:

“ Os alertas são importantes para evitar que as pessoas se coloquem em condição de risco. O trabalho da Defesa Civil em alertar é para as pessoas entenderem que a previsão é para ajudá-las a evitar de estar no lugar errado, na hora errada e ser pego de surpresa pelo vento e chuva. Então se faz necessário avisar a população”, conclui.

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