Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa
PH Lopes/iG
Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa

Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, investigado por supostamente comandar um esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em postos da Grande São Paulo, ainda pode firmar um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). No entanto, segundo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, uma eventual negociação dependeria da apresentação de informações novas e relevantes para as investigações.

Existe a possibilidade ainda durante o processo, mas agora sobe o nível do que eles têm que trazer, mais ainda do que eles tinham que trazer antes. Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa


Apesar de manter a possibilidade aberta, o procurador ressaltou que uma nova negociação não é, neste momento, uma prioridade do Ministério Público.

Anteriormente, Oliveira e Costa e os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) decidiram não aceitar a proposta de colaboração apresentada pelos empresários  Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, no âmbito da Operação Carbono Oculto.

Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como
Reprodução/MPSP
Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco"


Segundo o PGJ, os empresários não apresentaram informações novas suficientes para justificar o acordo. De acordo com ele, o que havia sido apresentado pelos investigados já era de conhecimento do Ministério Público.

Uma delação premiada é o seguinte: se o sujeito está no topo da pirâmide, ele tem que entregar muita coisa. Então ele tem que entregar o esquema todo, tem que possibilitar o fim do esquema. Ele tem que trazer muito mais coisas do que alguém que está abaixo, que pode indicar o líder. E o Beto Louco e o outro estavam nessa situação na pirâmide e tudo que eles vieram nos trazer, a gente já tinha. Procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa


Denúncia do MPSP

Na última semana, Beto Louco e outros 15 investigados foram denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa e lavagem de dinheiro em um suposto esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em postos da capital e da Grande São Paulo.

Segundo a denúncia, o esquema teria funcionado entre 2017 e 2025. As investigações apontam que o grupo teria desviado mais de 10 milhões de litros de metanol, que seriam utilizados irregularmente na mistura de combustíveis, obtendo lucros milionários com a operação.

A denúncia também aponta indícios de estelionato, adulteração de combustíveis, crimes tributários e contra o consumidor, falsidade documental e crimes ambientais.

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