MPSP denuncia 16 pessoas por suposto esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis
Arte iG/Beatriz Failla
MPSP denuncia 16 pessoas por suposto esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou 16 pessoas por um suposto esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis em postos da capital e da Grande São Paulo. Segundo a denúncia, o esquema teria funcionado entre 2017 e 2025.

As investigações apontam que o grupo criminoso teria obtido lucros milionários com o desvio de mais de 10 milhões de litros de metanol, que seriam utilizados irregularmente na mistura de combustíveis. A denúncia foi elaborada a partir de documentos reunidos durante as operações Boyle e Carbono Oculto.

Os 16 denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação também aponta indícios de estelionato, adulteração de combustíveis, crimes tributários e contra o consumidor, falsidade documental e crimes ambientais.

Entre os denunciados está Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, empresário apontado nas investigações como um dos comandantes do esquema. De acordo com o MPSP, empresas como Aster, Copape e Duvale teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados à operação.

Beto Louco já havia sido alvo de uma operação que o apontava como responsável por comandar um esquema ligado ao  Primeiro Comando da Capital (PCC). Na denúncia apresentada agora, porém, o MPSP não afirma que os 16 denunciados sejam integrantes da facção criminosa.

O PCC aparece na denúncia em outro contexto, relacionado a Admar de Carvalho Martins, conhecido como “Dema”. Segundo documentos mencionados na investigação, ele é apontado como suspeito de manter vínculos societários com integrantes da facção.

Como funcionava o esquema

Segundo a denúncia do MPSP, o grupo adquiria o metanol de forma legal em Paranaguá, no Paraná. Para isso, utilizava empresas autorizadas a comercializar o produto e apresentava como justificativa uma suposta produção de biodiesel.

Na documentação fiscal, o metanol aparecia como destinado a empresas do setor químico, que seriam as supostas compradoras do produto. O carregamento, porém, não chegaria aos endereços indicados nos documentos.

Em vez disso, segundo as investigações, o metanol era desviado para postos de combustíveis e empresas ligadas ao setor na Grande São Paulo. No destino real, o produto seria misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol, adulterando os combustíveis.

O dinheiro obtido com a operação, ainda de acordo com o MPSP, era posteriormente movimentado por empresas de fachada, instituições de pagamento e fundos de investimento, com o objetivo de ocultar os reais beneficiários dos recursos.

As investigações apontam que parte dos pagamentos estava concentrada na BK Instituição de Pagamento. Outra parcela teria sido movimentada por meio de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) fechados, nos quais os beneficiários finais permaneceriam ocultos.

Assim, os denunciados inseriram, sob aparência lícita, valores ilícitos e milionários no mercado formal, incompatíveis com os rendimentos por eles declarados ao fisco, de forma reiterada no âmbito do exercício da atividade econômica e por intermédio de organização criminosa. Denúncia do MPSP


O iG procurou as empresas mencionadas na denúncia para solicitar esclarecimentos sobre os fatos apontados pelo Ministério Público de São Paulo. Até a publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação dos denunciados na reportagem. 

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