Posto Avançado de Apoio à Mulher no Metrô, em São Paulo
Reprodução/ Metrô
Posto Avançado de Apoio à Mulher no Metrô, em São Paulo

Durante o Agosto Lilás, campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, o Metrô de São Paulo reforça a importância dos Postos Avançados de Apoio à Mulher, mantidos em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.

Esses espaços estão localizados nas estações Luz, da Linha 1-Azul, e Santa Cecília, da Linha 3-Vermelha; os postos funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e oferecem orientação especializada às vítimas, além de policiais treinados para ouvir e auxiliar essas mulheres. Em alguns casos, os postos também podem encaminhar a vítima para serviços especializados de a poio e proteção, como a Casa da Mulher Brasileira.

Desde o início do ano de 2026, quase 300 mulheres já buscaram apoio nesses postos especializados, que fornecem não só orientação sobre prevenção e combate a diferentes formas de violência, mas disponibilizam também ferramentas como o Violentômetro, uma ferramenta que ajuda a identificar sinais de  abuso e a reconhecer situações que muitas vezes passam despercebidas.

Através dessa medida, o Metrô busca garantir segurança e dignidade às mulheres que enfrentam qualquer tipo de violência, seja ela doméstica, familiar ou causada por um desconhecido.

Assédio sexual em transportes públicos

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, mostra que sete em cada dez moradoras da capital já foram vítimas de assédio. A investigação ouviu 3.500 brasileiras em diferentes regiões do país, sendo 700 delas residentes da capital paulista.

Os dados revelam que o problema está presente em diversos espaços do cotidiano, com 54% das entrevistadas afirmaram ter sido assediadas enquanto caminhavam pela cidade. O transporte público aparece logo em seguida, com mais da metade das entrevistadas relatando episódios de assédio em ônibus, metrôs ou trens.

Dois casos de assédio que aconteceram na Linha 11-Coral, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), repercutiram após reação dos passageiros às cenas. Em ambos os casos, a vítima relatou o assédio no vagão, gerando indignação na população que via a cena.


O mais recente dos casos aconteceu nesta última quinta-feira, no dia 20 de agosto, quando passageiros encurralaram e agrediram um homem suspeito de assédio depois de observarem a movimentação do mesmo. Ele foi jogado para fora do vagão na Estação Dom Bosco e uma multidão se formou à sua volta; oficiais da companhia tiveram que intervir e acudir o suspeito.

Em maio deste ano, um caso similar aconteceu na mesma estação, quando a vítima percebeu a aproximação de um homem que tentava encostar em seu quadril. Quando tentou se afastar, a mulher percebeu que o órgão genital do suspeito estava exposto e gritou por ajuda. O homem também foi agredido por outros passageiros e teve de ser ajudado por oficiais de justiça; ele foi preso em flagrante pelo crime de importunação sexual.

Iniciativas de combate do Metrô

Para auxiliar as passageiras que passam por algum tipo de assédio sexual ou moral nas linhas do Metrô, a intituição deixa aberto ao público um Canal de Denuncias, onde é possível relatar uma situação de maneira anônima.

Por mais que o canal não seja feito exclusivamente para denúncias de abuso, ele também acata as queixas e avalia os elementos fornecidos pela vítima para que alguma ação seja tomada. Avisos sonoros repercutidos nos vagões e nas estações da companhia, também promovem diversas campanhas que incentivam passageiras a denunciar esses casos.

Em abril deste ano, o Metrô realizou uma ação com agentes policiais à paisana, que se disfarçavam entre os passageiros e monitoravam o comportamento de suspeitos. A proposta foi realizada na intenção de intervir nos assédios no momento em que eles aconteciam.

Durante a ação, foi constatado que a maior parte dos casos ocorre nos horários de pico, em linhas mais movimentadas, como a Linha 3-Vermelha.

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