
Ricardo Krause Esteves Najjar foi condenado a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, na sexta-feira (14), pelo assassinato de sua filha, Sophia Kissajikian Cancio Najjar, quando a menina tinha 4 anos. O crime aconteceu em 2015, em Jabaquara, Zona Sul de São Paulo.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), após três dias de julgamento, a promotora de Justiça Luciana André Jordão obteve a condenação de Ricardo, nessa que foi a terceira vez em que o caso é analisado por um júri popular.
Segundo o processo, Ricardo e a mãe da menina se separaram pouco depois de seu nascimento, mas ele seguiu fazendo visitas regulares à filha. No dia do crime, o pai buscou a vítima na escola e a levou para casa.
O réu alegou que deixou a menina sozinha na sala de casa enquanto tomava banho e, ao retornar, encontrou sua filha caída no chão, sufocada com um saco plástico. Porém, exames indicam ferimentos pelo corpo da criança causados por ação humana.
O Conselho de Sentença reconheceu a autoria dos fatos e a materialidade dos crimes, bem como características de meio cruel e de recurso que impossibilitava a defesa da vítima. Também reconheceu o agravante de a menina ser menor de 14 anos, aumentando a pena.
Julgamento
No primeiro julgamento, em 2018, o homem havia sido condenado à prisão pela morte da filha, porém a condenação foi anulada em 2020, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo identificou contradições nos quesitos apresentados durante a votação dos jurados.
O Ministério Público recorreu, argumentando que a decisão era contrária à prova técnica do processo, em especial ao laudo necroscópico da menina.
Segundo a análise, as lesões da vítima não se associam a um acidente ou a uma asfixia acidental, como apresentado pela defesa, apontando que os ferimentos haviam acontecido por ação humana.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou o recurso e determinou a realização de um terceiro julgamento. A defesa de Ricardo ainda buscou reverter a decisão no STJ, mas o pedido não foi aceito e o homem foi submetido novamente ao Tribunal do Júri, resultando em sua condenação.
Crime
O assassinato aconteceu em dezembro de 2015, no bairro Jabaquara, Zona Sul da capital paulista. A menina foi encontrada sufocada com uma sacola plástica na cabeça. A defesa de Ricardo afirmou ser um acidente doméstico, alegando que Sophia estaria brincando com a sacola quando o pai foi tomar banho.
O pai foi preso durante o velório da menina e ficou um ano na cadeia, mas acabou sendo solto antes do julgamento por excesso de tempo de prisão temporária. Ricardo voltou a ser preso preventivamente em março de 2017.
A primeira condenação, em 2018, foi por homicídio doloso duplamente qualificado, fraude processual e por ter supostamente alterado a cena do crime, resultando em 24 anos e 10 meses de prisão.
O segundo júri foi adiado várias vezes devido à pandemia e também a pedido da defesa de Ricardo.