Fila para se vacinar contra sarampo na UBS Vila Santo Estevão, no Tatuapé, em São Paulo.
Rafael Rintzel/iG
Fila para se vacinar contra sarampo na UBS Vila Santo Estevão, no Tatuapé, em São Paulo.

Com 23 casos de sarampo confirmados no estado, sete novos somente esta semana na capital paulista, a Prefeitura iniciou uma campanha de vacinação para as pessoas que têm entre seis meses e 59 anos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas AMAs/UBSs Integradas da capital.

Os locais de vacinação, disponibilidade de doses e tamanho médio das filas para se imunizar podem ser acompanhados no site De Olho na Fila, da prefeitura de São Paulo, porém a espera pelo imunizante pode ser longa, ultrapassando uma hora em muitas unidades de saúde da capital.

A reportagem do iG esteve em UBSs de São Paulo nesta sexta-feira (07), em que usuários do  sistema de vacinação municipal relataram passar um longo tempo em filas esperando a imunização, mesmo durante a intensificação promovida pela prefeitura.

Fila para se vacinar contra sarampo no Ambulatório de Especialidades Dr. Italo Domingos Le Vossi, na Mooca
Rafael Rintzel/iG
Fila para se vacinar contra sarampo no Ambulatório de Especialidades Dr. Italo Domingos Le Vossi, na Mooca


Letícia Carolina Gonçalves de Souza, que se vacinou no Ambulatório de Especialidades Dr. Italo Domingos Le Vossi, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, relata que chegou à unidade por volta das 12h50 e que, mesmo com somente cerca de 10 pessoas na sua frente, levou aproximadamente uma hora para conseguir tomar o imunizante.

Na visão de Letícia, a longa espera pode desestimular pessoas a se vacinarem, e as unidades precisavam de mais salas com profissionais fazendo a aplicação, pois o problema não é a quantidade de pessoas na fila, mas o tempo de espera.

"Em períodos assim, em que está iniciando um surto, seria importante não só ter as doses, mas ter uma equipe maior (...) Muitas vezes a pessoa vai, não consegue esperar e acaba desistindo. O problema não é que a fila está longa, o problema é que ela não anda.” Letícia Carolina Gonçalves de Souza

Desistência

Janete Soriano Martins foi uma dessas pessoas que acabou optando por voltar para casa e tomar a vacina em outro horário devido à demora para receber o imunizante. Ela considera positivo que muitas pessoas estejam buscando se proteger contra o sarampo, porém afirma que deveria haver uma mobilização maior nos horários em que as pessoas mais vão às UBSs.

Janete conta que, no horário em que foi até a unidade, próximo ao meio-dia, havia somente uma profissional aplicando a vacina, fazendo com que deixasse para se imunizar em outro momento devido à demora para receber a dose.

“Acho que a fila está muito grande porque está todo mundo procurando. Que bom que está todo mundo procurando, mas deveria ser mais ágil, ter mais pessoas trabalhando nisso, principalmente sendo que muita gente sai no horário do almoço para vir tomar vacina e fica nessa fila.” Janete Soriano Martins


Horário

Uma opção para quem pretende se imunizar sem esperar tanto tempo na fila foi a escolhida por Alexandre Oliveira Moller, que optou por se imunizar no início da manhã para evitar a espera. Em sua experiência, quando chegou à unidade de saúde, por volta das 07h30 da manhã, havia somente duas pessoas aguardando imunização.

A experiência de Alexandre foi diferente quando levou sua filha para se vacinar. Pouco antes das 13h30, precisou esperar na fila por cerca de uma hora, tempo próximo ao que sua esposa esperou no dia anterior, também no intervalo do trabalho.

Para Alexandre, a vacinação contra o sarampo tem uma importância ainda mais clara. Com duas netas, uma de 4 anos e outra com 8 meses, fez questão de buscar a dose de reforço em uma unidade de vacinação  logo quando apareceram os primeiros casos da doença na capital paulista.

O sarampo é uma doença infecciosa de fácil transmissão, que já foi uma das maiores causas de mortalidade infantil no mundo. O vírus passa de pessoa para pessoa por meio do ar, sendo facilmente contraído por quem não possua imunidade específica para o vírus, especialmente no caso de crianças, nas quais pode evoluir rapidamente para complicações graves, como pneumonia e infecções no ouvido, de acordo com o Ministério da Saúde.

Prioridade

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, crianças devem tomar a primeira dose do imunizante contra sarampo, chamada “dose zero”, dos seis aos 11 meses. O calendário oficial de rotina exige a 1ª dose aos 12 meses (tríplice) e a 2ª dose aos 15 meses (tetraviral). Durante a campanha de vacinação, menores de dois anos são preferenciais, mas isso não indica que a espera será curta.

De acordo com Paulo Rodrigues, que levou o filho Bento, de um ano e 9 meses, para se vacinar contra o sarampo na UBS Vila Santo Estevão, no Tatuapé, ao chegar à unidade, foi informado de que, mesmo em idade preferencial para imunização, a espera poderia chegar a duas horas.

Também no Tatuapé, Fabio Celli foi junto com os dois filhos, Théo e Lorenzo, e relatou um tempo de espera parecido. Segundo ele, fez questão de ir com a família para se vacinar devido ao aumento de casos da doença em São Paulo, mas destacou a demora na unidade, que contava com somente duas pessoas aplicando o imunizante.

Placa indicando sala de vacinação.
Rafael Rintzel/iG
Placa indicando sala de vacinação.


A equipe de reportagem do iG cronometrou o tempo de espera na fila de vacinação contra o sarampo na unidade Dr. Italo Domingos Le Vossi, por volta das 13h. Lá, com uma única profissional aplicando, r egistrou 32 minutos e 26 segundos para que cinco pessoas entrassem na sala, recebessem a dose e saíssem, totalizando seis minutos e 29 segundos para cada atendimento.

A última destas cinco pessoas atendidas foi Letícia de Souza, que conferiu a situação da fila por meio do site De Olho Na Fila, mas relatou a falta de informações, tanto online quanto no local, sobre o que é necessário ter em mãos para se vacinar. Segundo ela, durante a uma hora que aguardou na fila, notou várias pessoas precisando voltar para a recepção para fazer um novo Cartão Nacional de Saúde, retornar e poder receber o imunizante.


O cartão de vacinação era feito na hora, mesmo para pessoas registradas fora de São Paulo, a partir da apresentação de um documento e residência no município. A campanha na capital paulista começou no dia 3 de agosto e vai até o dia 1º de setembro, com o Dia D (quando as 483 Unidades Básicas de Saúde ficam abertas das 8h às 17h para ampliar a imunização) marcado para 22 de agosto.


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