Traficante segue sendo um dos mais procurados do país
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Traficante segue sendo um dos mais procurados do país

Um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro, João Pedro da Silva Freitas — conhecido como Peixão — é apontado pela Polícia Civil como o líder que transformou a facção criminosa que comanda, o Terceiro Comando Puro (TCP), em um império religioso e armado. Responsável pela criação do chamado Complexo de Israel, ele estruturou um território que mistura estética bíblica, poder bélico e controle social. Nesta terça-feira (09), parte da família dele foi presa tentando fugir do Rio, o que ampliou a pressão sobre um dos traficantes mais procurados do país.

A ascensão do bandido que misturou crime com religiosidade

Região conhecida como Complexo de Israel, base do poder religioso e armado de Peixão.
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Região conhecida como Complexo de Israel, base do poder religioso e armado de Peixão.

Peixão ganhou força dentro da facção ao adotar uma narrativa espiritualizada para justificar práticas de coerção, disciplina e recrutamento. Investigações apontam que ele chegou a se apresentar como alguém “chamado por Deus” para liderar o território, reforçando a ideia de que seu domínio teria uma missão divina. Essa retórica ajudou a consolidar o Complexo de Israel como uma área marcada por símbolos bíblicos, estética religiosa e controle social.

Nesse processo, ele também teria perseguido religiões que não se alinhavam ao modelo imposto pela facção — incluindo ataques a terreiros, expulsão de praticantes e proibição de cultos de matriz africana — ampliando a influência religiosa como instrumento de poder e intimidação em um modelo que especialistas classificam como “neonarcopentecostal”.

O criminoso com 79 anotações e um dos históricos mais violentos do estado

Peixão tem 79 anotações criminais registradas pela Polícia Civil. Entre elas estão acusações de tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios, tentativas de homicídio, porte de armas de uso restrito, tortura, extorsão e organização criminosa. O volume de registros e a variedade de delitos reforçam a avaliação de que ele é hoje um dos líderes do crime organizado com maior capacidade logística e de articulação territorial no Rio.

A trajetória de Peixão se consolidou na última década, combinando articulações internas, expansão territorial e uso da religião como ferramenta de autoridade. Ele adotou estratégias de militarização, vigilância e controle econômico para fortalecer o domínio da facção sobre áreas de grande movimento, gerenciando operações de drogas, armas e lavagem de dinheiro em larga escala.

Operação na Avenida Brasil chegou perto de capturá-lo

Em fevereiro, a Polícia Militar realizou uma operação de grande porte no Complexo de Israel, na região da Avenida Brasil. A ação fechou por horas a via expressa na altura da Cidade Alta e provocou intensa troca de tiros. Um helicóptero da corporação foi atingido, e veículos do transporte público também foram alvejados. Para fontes da segurança, foi um dos momentos em que as equipes estiveram mais próximas de capturar o traficante. Na ocasião, investigadores apontaram que criminosos do TCP chegaram a disparar na direção de civis para tentar dispersar os policiais que se aproximavam.

Família de Peixão foi interceptada em operação conjunta

Joias apreendidas em Operação que prendeu familiares do traficante
Divulgação PRF
Joias apreendidas em Operação que prendeu familiares do traficante


Nessa segunda-feira (08/12), a Polícia Civil do Rio de Janeiro e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deflagraram uma ação conjunta que interceptou familiares de Peixão quando tentavam fugir do estado. A ofensiva faz parte de uma estratégia mais ampla para enfraquecer a rede de proteção que sustenta o chefe do TCP e dificultar suas rotas de fuga. O detalhamento da prisão será tratado em matéria complementar.

Peixão segue como um dos mais procurados do estado

Hoje, o traficante integra a lista de alvos prioritários da Polícia Civil e da Polícia Militar. A captura dele é considerada estratégica para enfraquecer a estrutura financeira e logística do TCP. Além do forte aparato armado, Peixão mantém uma rede de olheiros, bloqueios e informantes que dificultam a entrada das forças de segurança no território.


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