Projeto IFG Feridas oferece atendimento gratuito a moradores de Águas Lindas de Goiás com lesões de difícil cicatrização
Janaína Vidal
Projeto IFG Feridas oferece atendimento gratuito a moradores de Águas Lindas de Goiás com lesões de difícil cicatrização

Moradores de Águas Lindas de Goiás que convivem com feridas de difícil cicatrização podem receber tratamento gratuito no Instituto Federal de Goiás (IFG). O projeto IFG Feridas atende pessoas com duas ou mais doenças crônicas e lesões persistentes, mediante avaliação da equipe de enfermagem. Além dos cuidados no ambulatório, a pesquisa busca investigar os fatores associados a essas lesões e avaliar a aplicação de um plano de cuidados.

A iniciativa surgiu da experiência de professoras do curso técnico em Enfermagem do campus, que acompanham estágios e conhecem a rede de saúde do município. Em entrevista ao iG, a enfermeira e professora Patrícia Carvalho, coordenadora do projeto, afirma que o contato com os pacientes revelou um sofrimento que nem sempre é percebido por outras pessoas.

“Muitas pessoas têm feridas, feridas de longa data, longa duração e às vezes a roupa tampa, ninguém sabe”, relata.

O atendimento ocorre no chamado Ambulatório Científico, instalado em um laboratório modular do Campus Águas Lindas. A equipe reúne profissionais de enfermagem e estudantes da área da saúde, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.

Segundo Patrícia, o projeto foi aprovado em uma chamada pública em 2024. O ano seguinte foi dedicado à organização da estrutura, aos procedimentos éticos e aos acordos de cooperação. O recebimento dos pacientes e a aplicação do plano de cuidados começaram em 2026.

Quem pode participar

Para integrar a pesquisa, o paciente precisa ter duas ou mais doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e uma ferida considerada de difícil cicatrização. A seleção depende de uma triagem, com entrevista e avaliação das condições de saúde.

Patrícia explica que a equipe considera a evolução da lesão após pelo menos quatro semanas de tratamento, incluindo a redução de seu tamanho. Portanto, a existência de uma ferida há mais de um mês, por si só, não garante a inclusão no estudo.

Pacientes atendidos pelo IFG Feridas recebem acompanhamento individualizado para tratar lesões de difícil cicatrização
Janaína Vidal
Pacientes atendidos pelo IFG Feridas recebem acompanhamento individualizado para tratar lesões de difícil cicatrização


O projeto também tem critérios de exclusão. Pessoas com feridas oncológicas ou que precisam de uma cirurgia para tratar a causa da lesão não são incluídas. A coordenadora cita como exemplo pacientes com obstrução arterial que necessitam primeiro de uma intervenção cirúrgica.

Neste momento, o atendimento é restrito a moradores de Águas Lindas, conforme o recorte da pesquisa aprovado pelo comitê de ética. A equipe já recebeu pedidos de outras localidades, mas ainda não pode ampliar o público.

“A gente teve procura de pessoas de Brasília”, conta Patrícia. “Mas, infelizmente, em decorrência do comitê de ética, a gente não consegue atender essas pessoas, porque a gente fica realmente limitado nesse escopo.”

Avaliação vai além da ferida

O plano de cuidados utiliza a ferramenta TIMERS, que orienta a avaliação da lesão e a escolha das medidas de tratamento. Conforme a coordenadora, o acompanhamento considera as condições do tecido, sinais de infecção e inflamação, a regeneração e os fatores sociais que podem interferir na recuperação.

A consulta também aborda alimentação, uso de medicamentos e de outras substâncias, atividade física e sono. A proposta é compreender as condições de saúde e a rotina de cada pessoa para definir os cuidados.

“Na verdade, não é técnica, né? É seguir as recomendações da literatura”, afirma Patrícia.

No tratamento da lesão, a equipe realiza a limpeza e escolhe as coberturas utilizadas nos curativos de acordo com a necessidade identificada em cada avaliação. A frequência das trocas também varia conforme as características da ferida e a resposta do paciente.

“Então é um atendimento muito individualizado”, resume a enfermeira.

As condições sociais também podem dificultar a continuidade do acompanhamento. Segundo Patrícia, houve pacientes que desistiram porque não conseguiam comparecer ao serviço. Essas dificuldades fazem parte dos aspectos observados pela equipe ao longo da pesquisa.

Expansão para Goiânia

A meta do projeto é atender 380 pessoas, número que considera tanto o ambulatório de Águas Lindas quanto uma unidade prevista para o Campus Goiânia Oeste. De acordo com Patrícia, a intenção é estruturar o segundo espaço ainda em 2026.

O cronograma original da pesquisa vai até o fim de 2027. A coordenadora pretende solicitar uma prorrogação em razão de atrasos no repasse dos recursos, mas a continuidade além desse prazo depende de autorização dos órgãos financiadores.

“Se a gente tiver financiamento, a gente continua, amplia e por aí a gente vai, nossa pretensão é continuar”, afirma.


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