
A BR-153 registrou 52 mortes em acidentes no trecho que atravessa Goiás entre janeiro e julho de 2026. Os dados, confirmados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao iG, mostram que a rodovia também contabilizou 583 acidentes e 630 pessoas feridas nos primeiros sete meses do ano.
Na prática, uma pessoa morreu, em média, a cada quatro dias na BR-153 durante o período. A rodovia ainda apresentou crescimento no número de acidentes na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.
Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), o Brasil registrou 6 mil mortes em rodovias federais, o que daá 16 mortes por dia. Ou seja, o trecho goiano da BR-154 concentra 25% dos casos.
Entre janeiro e julho de 2025, foram registrados 551 acidentes, 636 feridos e 51 mortes. Neste ano, o número de ocorrências subiu 5,8%, enquanto as mortes passaram de 51 para 52, aumento de aproximadamente 2%.

A quantidade de feridos apresentou uma pequena redução, passando de 636 para 630, queda de 0,9%. Os números indicam que, apesar da diminuição dos feridos, a mortalidade permaneceu praticamente estável e os acidentes se tornaram mais frequentes.
Policial Rodoviário e chefe da comunicação da PRF em Goiás, Victor Rustiguel explica que a rodovia possui um extrenso trecho de pista simples no sentido norte, o que contribui para a maior incidência de sinistros na rodovia.
"A PRF tem intensificado as fiscalizações por videomonitoramento nesses trechos, ampliando a capacidade de identificar e coibir condutas de risco", diz. Ele conta que ao longo do período de férias, também foram realizadas ações educativas e de fiscalização dos motoristas, além de e iniciativas direcionadas ao descanso de motoristas profissionais, com o objetivo de prevenir a fadiga ao volante e preservar vidas.
Oito mortes somente em julho
A concentração de mortes na BR-153 ficou ainda mais evidente durante as férias escolares. Somente em julho, oito pessoas morreram na rodovia, o equivalente a 61,5% de todas as mortes registradas no mês nas estradas federais de Goiás.
Ao todo, as rodovias federais que cortam o estado contabilizaram 214 acidentes, 226 feridos e 13 mortes durante julho. Além das oito vítimas na BR-153, duas mortes ocorreram na BR-060, duas na BR-452 e uma na BR-070.
O balanço divulgado pela PRF não individualizou os acidentes que resultaram nas oito mortes nem informou todos os municípios e quilômetros onde as ocorrências aconteceram.
Apesar da alta concentração de óbitos na BR-153, o resultado geral das rodovias federais de Goiás apresentou melhora em relação às férias escolares de 2025.

Em julho do ano passado, foram registrados 213 acidentes, 232 feridos e 20 mortes. Neste ano, o número de mortes caiu 35%, enquanto o de feridos recuou 3%. A quantidade de acidentes, no entanto, permaneceu praticamente estável, com uma ocorrência a mais.
Na própria BR-153, as mortes em julho passaram de nove, em 2025, para oito em 2026, redução de aproximadamente 11%.
Principal corredor rodoviário de Goiás
A BR-153 atravessa Goiás de norte a sul e funciona como uma das principais rotas para o transporte de cargas e passageiros no estado. A rodovia passa por regiões de grande movimentação, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e municípios do centro-norte goiano.
Além do tráfego urbano e intermunicipal, a estrada recebe um fluxo intenso de caminhões envolvidos no escoamento da produção agrícola e no transporte de mercadorias entre as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país.
A combinação entre veículos de passeio, motocicletas, ônibus e caminhões aumenta a complexidade do trânsito, especialmente nos trechos urbanos, nas pistas simples e em pontos com grande movimento de entrada e saída de veículos.
Excesso de velocidade lidera infrações
Durante julho, as ações de fiscalização realizadas nas rodovias federais de Goiás resultaram em mais de 27 mil infrações de trânsito.
O excesso de velocidade foi a principal irregularidade registrada pela PRF, com 17.922 autuações feitas por radares fixos e portáteis.
Também foram contabilizadas 1.015 ultrapassagens em locais proibidos, 120 motoristas dirigindo sob efeito de álcool e 556 infrações relacionadas ao não uso do cinto de segurança.
Segundo a PRF, excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas, consumo de álcool antes de dirigir e falta do cinto permanecem entre as condutas diretamente relacionadas aos acidentes graves e fatais.
A corporação informou que as ações preventivas e de fiscalização continuarão ao longo do ano, principalmente durante feriados prolongados e períodos de maior movimentação nas estradas.