O atual presidente do PT, Humberto Costa, e o presidente eleito Edinho Silva
Foto:Roberto Stuckert
O atual presidente do PT, Humberto Costa, e o presidente eleito Edinho Silva



Eleito presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) neste domingo (6), Edinho Silva vai assumir em agosto.


Filiado ao partido desde 1985, ele é visto como um partidário de perfil moderado e defensor da ampliação das pontes de diálogo com outras alas da política nacional.

Edinho Silva concorreu pela corrente dominante do PT , a  Construindo Um Novo Brasil (CNB).

Durante a campanha, defendeu a importância do partido se reaproximar de suas bases.

Origens e vida política

Edinho Silva tem 60 anos, é sociólogo e iniciou sua carreira política como vereador em Araraquara, no interior paulista.

Eleito prefeito, governou a cidade por oito anos, entre 2001 e 2008.

Eleito presidente da sigla no estado de São Paulo, foi reeleito com mais de 90% dos votos dos filiados.

Foi eleito deputado estadual e ocupou o cargo de ministro-chefe da  Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República .

Foi eleito novamente prefeito de Araraquara e cumpriu mais dois mandatos, entre 2001 e 2008 e entre 2017 e 2024.

Destacou-se, entre outros momentos, na pandemia, ao coordenar o cumprimento das medidas sanitárias, tornando-se referência no país no combate à Covid-19.

Coordenou a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT ), em 2022.

Amigo do presidente, Edinho Silva contou com o apoio de Lula e da ala dominante do partido na eleição interna.

Foi declarado eleito presidente do PT com 239.155 votos, ou 73,48% dos 342.294 votos apurados até o fim da tarde desta segunda-feira (7).

Concorreu com o deputado federal Rui Falcão (Novo Rumo), que obteve 36.279 votos, ou 11,15% do total; Romênio Pereira (Movimento PT), que teve 36.009 votos, ou 11,06%, e com o historiador Valter Pomar (Articulação de Esquerda), que somou 14.006, o equivalente a 4,3% dos votos apurados.

Não foi apurada ainda parte dos votos de Pernambuco, Bahia, Pará, Paraná, Rio de Janeiro. E nem a totalidade de Minas Gerais, que teve a eleição suspensa na Justiça e vai realizar o processo no próximo domingo (13).

Ambiente de unidade 

Na sua primeira manifestação como presidente eleito do PT nacional, Edinho Silva agradeceu a atual direção que conduziu o processo, destacando Humberto Costa e a militância petista.

“Penso que prevaleceu um ambiente de unidade, por mais que tenha contradições criadas, e essas contradições são naturais da cultura democrática do PT. Não há nenhuma disputa interna do PT que não tenha contradições, não tenha conflitos, porque é assim que se dá a disputa política, a tradição do partido” , afirmou.

Agradeceu também os outros três candidatos e à militância.

Disse que percorreu, desde fevereiro, 22 estados e, em muitos deles, esteve várias vezes para garantir o debate com a militância, respeitando as leis internas do PT.

“Quero também aqui fazer um agradecimento público à confiança do presidente Lula e dizer que eu me empenharei todos os dias para honrá-la”, destacou.

Edinho afirmou que será o presidente de todas as correntes do PT, de todos os grupos. O objetivo, segundo ele, é trabalhar para unificar o partido, visando a reeleição do presidente Lula.

“Reeleger o presidente Lula significa a democracia prevalecer diante do pensamento autoritário que, infelizmente, cresce em setores importantes da política brasileira e no cenário político internacional; inclusive o pensamento autoritário de inspiração fascista” , criticou.


Edinho Silva disse que será o presidente que vai viajar o Brasil, que vai dialogar com os movimentos sociais e "com todas as expressões da política brasileira que queiram construir um país sem privilégios e mais justo".

Desafios à frente

Enfatizou que reconhece os desafios que está assumindo e defendeu a importância da reestruturação e do fortalecimento do PT através do diálogo com uma nova classe trabalhadora.

Ele avalia que o PT não pode fugir de temas como a segurança pública, a tarifa zero no transporte público e a redução da carga horária.

“Por essa oportunidade que me foi dada, agradeço muito à militância do PT, porque nenhum partido, com todo o respeito aos partidos brasileiros, seria capaz de fazer um processo de eleição interna que mobilizasse mais de 400 mil filiados” , concluiu, se referindo ao total de votantes no PED.

Edinho Silva vai assumir o cargo no encontro nacional do PT previsto para ocorrer nos dias 1, 2 e 3 de agosto.

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!
    Mais Recentes