Hospital Geral de Bonsucesso.
Fabiano Rocha/Agência O Globo
Hospital Geral de Bonsucesso.

Depois de ser seriamente afetado por um incêndio, que deixou três vítimas fatais , o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) vai fechar as portas por tempo indeterminado a partir do dia 1º de novembro. A afirmação é do diretor do corpo clínico da unidade, o médico Júlio Noronha.

Os funcionários da unidade deverão entrar em férias coletivas nos próximos dias, com exceção de 22 médicos dos setores de Nefrologia e Transplante, que serão aproveitados no Hospital Federal da Lagoa.

Atualmente, entre servidores e médicos estatutários, o HGB conta com 3.500 profissionais . Já os terceirizados são mais de dois mil. A situação deles ficará a cargo de cada empresa contratante.

O Extra apurou que a proposta de conceder férias coletivas aos profissionais partiu da direção do HGB, que se reuniu com o corpo clínico na tarde desta quarta-feira.

Também ficou definido que o hospital permanecerá fechado até que uma análise seja elaborada pelo Ministério da Saúde. Ou seja, não há prazo para reabertura. É que existe um risco de novos incêndios em outros setores da unidade.

Ainda segundo Noronha, pacientes que fizeram transplantes recentes no local e os que estão na fila para cirurgias e procedimentos receberão acompanhamento no Hospital da Lagoa, no Jardim Botânico, e dos Servidores, no Centro do Rio.

Na tarde desta quarta-feira (28), a diretoria do hospital também se reuniu com um delegado da Polícia Federal para falar sobre a perícia.

Tragédia anunciada

Júlio Noronha conta que desde a fundação do hospital, em 1948, nunca houve uma reforma ou manutenção nas instalações elétricas da unidade.

Ele citou o relatório da Defensoria Pública da União, elaborado no ano passado, que apontava o risco iminente de incêndio . Também disse que o então diretor-geral do hospital, Paulo Roberto Cotrim, teria solicitado providências ao Ministério da Saúde .

"A coisa dantesca e marcante foi o relatório da Defensoria que disse que estávamos sentados em um barril de pólvora, pois os transformadores poderiam explodir. Naquela época, o Paulo Cotrim, mandou um relatório para o Ministério da Saúde pedindo a reforma e a modernização da parte do subsolo e da parte elétrica", lembrou.

Para o diretor do corpo clínico do HGB, a tragédia foi anunciada.

"Já era esperado. Só não sabíamos que seria tão rápido assim. A questão do Ministério da Saúde saber o que estava acontecendo e não fazer nada causou uma grande revolta. Muita revolta. Não imaginávamos que seríamos agora. Fiquei chateado e fiquei triste", concluiu.

    Veja Também

      Mostrar mais