Tamanho do texto

De acordo com a Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania, presos que voltaram ao telhado não estão participando da rebelião que começou sábado; reforma na penitenciária visa separar integrantes de duas facções

Permanência de presos no telhado de uma das unidades da penitenciária seria forma de se proteger de internos rebelados
Globonews/ Reprodução 17.01.2017
Permanência de presos no telhado de uma das unidades da penitenciária seria forma de se proteger de internos rebelados

Dezenas de presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Natal, no Rio Grande do Norte, voltaram a tomar os telhados de uma das unidades do complexo na manhã desta terça-feira (17). A Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania (Sejuc) afirma que o clima continua tenso mesmo com forças policiais tentando controlar a situação. Há relatos de um novo confronto entre detentos de facções rivais. 

+ Após massacre em Alcaçuz, mais um presídio no Rio Grande do Norte tem rebelião

De acordo com a Sejuc, os presos que voltaram ao telhado do pavilhão onde funciona o setor médico não estão participando do motim que começou no sábado (14) e deixou pelo menos 26 mortos . A permanência no local seria uma forma de se protegerem de internos rebelados – na penitenciária estão criminosos que afirmam pertencer ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Desde o último fim de semana, os presos já ocuparam os telhados da unidade pelo menos três vezes. A primeira, no fim de semana, quando a rebelião começou e grupos rivais passaram a se hostilizar cada qual sob o telhado de um pavilhão. A segunda ocupação ocorreu na manhã dessa segunda-feira (16), depois que as forças policiais deixaram o interior da unidade. De acordo com a Sejuc, após uma noite sem registro de novas ocorrências, um grupo de presos voltou a subir ao telhado pela terceira vez.

+ Mortes no RN foram "vingança" pelo massacre em Manaus, diz governador

A secretaria afirma que a volta à normalidade é demorada porque o processo de retomada das dependências está seguindo protocolos de segurança rígidos, com os policiais avançando aos poucos.

Medidas de prevenção

Segundo publicação do jornal "Folha de S.Paulo", o governo do estado do RN fará uma reforma no presídio, que contará com a construção de um muro para separar os integrantes do Primeiro Comando da Capita (PCC) e do Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte.

O secretário de Justiça e Cidadania do Estado, Wallber Virgulino afirmou que o governo não tem intenção de fechar o presídio, principalmente, pela superlotação que vem acontecendo no Rio Grande do Norte.

Além disso, cinco suspeitos de comandar a rebelião na unidade foram transferidos para a Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), também em Natal, na tarde desta segunda-feira (16).  Eles já foram ouvidos e serão transferidos em breve para presídios federais.

O governador Robinson Faria se reuniu esta manhã, em Brasília, com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para pedir o empréstimo de um avião federal para transportar os presos para as unidades federais, um helicóptero para reforçar o policiamento ostensivo e a ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública.

+ Temer convoca órgãos de inteligência e monta força-tarefa de combate a facções

Soldados da Força Nacional estão no estado desde setembro do ano passado. O pedido de apoio foi motivado pelo agravamento da situação da segurança pública. Em março de 2015, o governo potiguar decretou estado de calamidade pública no sistema penitenciário. Em julho de 2016, grupos criminosos passaram a organizar uma série de ataques a ônibus e prédios públicos.

*Com informações da Agência Brasil